MISSÃO

O Pastor João Amilton é membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Palmeira das Missões Ministério de Madureira, onde tem a missão de fazer a diferença no Reino de Deus no Rio Grande do Sul, no Brasil e em outros países do mundo. Os objetivos é de levar s ser um membro das igreja que esta alicerçada na Palavra de Deus, que prima pela salvação das almas, levando o evangelho a toda a criatura e fazendo sempre a vontade de Deus, reconhecendo que o Senhor Jesus Cristo é o Senhor e Salvador de todos, para que os homens sejam servos obedientes e bons despenseiros da multiforme graça do Senhor. Contatos: 55.99998.3905.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Judaísmo x Cristianismo 2

 ESTUDO APROFUNDADO

Judaísmo x Cristianismo

 

Texto base: Isaías 53, Textos do Talmud e a Profecia de Daniel 9.

 

PARTE 1 — ISAÍAS 52:13–53:12:

O Servo Sofredor

 Duas Leituras - O Texto em Questão



ESTUDO COMPLETO 2


Versículos selecionados:

  •        Isaías 52:13–15"Eis que o meu Servo prosperará; será exaltado, elevado e muito engrandecido... assim causará admiração a muitas nações; os reis fecharão a boca por causa dele."

  •         Isaías 53:1–12"Quem creu na nossa pregação?... Ele foi desprezado e rejeitado entre os homens, homem de dores... certamente levou as nossas enfermidades e carregou as nossas dores... mas ele foi ferido pelas nossas transgressões e esmagado pelas nossas iniquidades... o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós... como um cordeiro foi levado ao matadouro... foi sepultado com os ímpios... embora não tenha praticado violência... e o Senhor teve o prazer de esmagá-lo com sofrimento... quando a sua alma se oferecer em sacrifício..."

 

1. LEITURA CRISTÃ — O SERVO = JESUS, O MESSIAS

A leitura cristã é unânime: o Servo é uma pessoa individual — o Messias — que sofre e morre pelos pecados de outrem.

  • Mateus 8:17 cita diretamente Isaías 53:4: "Ele tomou as nossas enfermidades e carregou as nossas doenças" — aplicando a Jesus.
  • João 12:38 cita Isaías 53:1 como explicação por que muitos não creram em Jesus.
  • Atos 8:30–35 — Filipe explica ao eunuco que a passagem de Isaías 53 se refere a Jesus.
  • 1 Pedro 2:22–25 — cita Isaías 53:9,5 e 53:6: "Não cometeu pecado... pelas suas feridas fostes sarados".

Argumentos principais:

1.         O Servo sofre por outros ("pelas nossas transgressões") — não por seus próprios erros.

2.       É descrito como inocente ("não havia dolo na sua boca") — coisa que nunca se diz de Israel como nação.

3.       Morre e é sepultado, depois vive novamente ("prolongará os seus dias") — impossível para uma nação.

4.       É colocado em contraste com "o meu povo" (53:8) — logo, não é o povo, mas alguém distinto dele.

 

2. LEITURA JUDAICA — O SERVO = ISRAEL, O POVO DE DEUS

A leitura majoritária judaica hoje identifica o Servo como o próprio povo de Israel sofrendo entre as nações.

  • Isaías 49:3 — "Tu és o meu Servo, ó Israel" — Deus declara explicitamente que o Servo é Israel.
  • Rashi (1040–1105) — Comentário a Isaías 53: "O Servo é Israel, que sofre entre as nações, e elas o reconhecem no fim dos tempos."
  • Maimônides — não nega o sofrimento, mas ensina que o Messias não vem para sofrer, mas para reinar. O sofrimento é da nação, não do líder.

Argumentos principais:

1.         Quatro "Cânticos do Servo" em Isaías (42; 49; 50; 52–53) — em 49:3 Deus diz claramente: "Tu és meu Servo, Israel".

2.       O Servo "será exaltado" depois do sofrimento — Israel é exaltado após o exílio, não uma pessoa executada.

3.       Nunca na Torá ou nos Profetas há previsão de Messias que morre pelos pecados alheios — essa ideia não existe na literatura judaica anterior ao cristianismo.

4.       "Não fareis imagem nem semelhança" — aplicar isso a uma pessoa adorada como Deus = idolatria.

 

3. DETALHE CRUCIAL: As Fontes JUDIAS ANTIGAS também liam como MESSIÂNICA!

Antes de Rashi (séc. XI/XII), várias fontes judaicas interpretavam Isaías 53 como referindo-se ao Messias, não a Israel:

  • Targum de Isaías (séc. I–II d.C., tradução/paráfrase aramaica): abre 52:13 com: "Eis que o meu Servo, o MESSIAS, prosperará..." — lê claramente como figura messiânica individual!
  • Talmud (Babá Batra) — em trechos antigos, identifica o Messias como "o que sofre" com base em Isaías 53.
  • Pesikta Rabbati (séc. IX): o Messias sofre antes de reinar — ideia que já existia no judaísmo antes de ser "rejeitada" como resposta ao uso cristão.

Resumo: A leitura "Servo = Israel" se tornou dominante a partir do século XII, em grande parte como reação à pressão cristã — que usava Isaías 53 para provar que Jesus era o Messias e que os judeus o rejeitaram. A leitura messiânica não era invenção cristã, mas foi abandonada na comunidade judaica por causa da divergência sobre Jesus.

 

PARTE 2 — JESUS NAS FONTES RABÍNICAS E NO TALMUD

AVISO IMPORTANTE

 

As referências a "Yeshu" no Talmud não são biografias históricas de Jesus de Nazaré. A maioria dos relatos:

  • Aparecem em épocas diferentes da vida de Jesus (até 100 anos de diferença)
  • Detalhes não coincidem com os Evangelhos
  • Foram alterados e censurados ao longo dos séculos por autoridades cristãs
  • Muitas vezes referem-se a outras pessoas chamadas Yeshu, não a Jesus de Nazaré

 

1. AS PRINCIPAIS PASSAGENS

a. Sanhedrin 43a — Execução de Yeshu

"No dia da véspera da Páscoa, Yeshu ha-Notzri foi apedrejado e enforcado... Um arauto proclamou quarenta dias: 'Yeshu o Nazareno é levado a apedrejamento porque praticou feitiçaria, desviou o povo e o levou à idolatria. Quem souber algo em sua defesa, venha!' Mas ninguém apareceu."

Diferença com os Evangelhos: Jesus foi crucificado por romanos, não apedrejado por tribunal judeu; não houve proclamação de 40 dias. Os detalhes divergem — trata-se de uma versão polêmica, não histórica.

2. Sanhedrin 107b — Discípulo desobediente

Narra que Yeshu foi discípulo de Rabi Yehoshua ben Perahya (séc. II a.C. — um século ANTES de Jesus), se afastou do caminho reto, passou a adorar ídolos. Cronologia impossível — confirma que não é o Jesus dos Evangelhos.

3. Shabbat 104b / Sanhedrin 67a — Ben Stada / Ben Pandera

Mencionam "filho de Stada" ou "filho de Pandera" — alegando nascimento ilegítimo. Novamente, datas não coincidem com Jesus de Nazaré. Parecem referir-se a outra figura herética de época diferente.

4. O Que Rabi Nahmânides Disse (Debate de Barcelona, 1263)

No debate público entre cristãos e judeus, o rei exigiu que Nahmânides explicasse Isaías 53. Ele respondeu com honestidade notável:

"Seja como for, vós não encontrareis em nossos sábios, de maneira explícita, que o Servo sofredor seja o Messias... Mas eu, ousarei dizer que é possível, sim, que o Messias sofra e depois seja exaltado. Porém, ele deve sofrer antes de começar a reinar, e deve realizar todas as profecias de paz e governo — e isso Jesus não fez."

Ou seja: Nahmânides NÃO negou que o Messias pudesse sofrer — negou que Jesus tivesse feito a segunda parte: reinar e trazer a paz prometida.

5. Maimônides sobre Jesus (Leis dos Reis 11:10–12)

"Também a respeito de Jesus o Nazareno, que pensava ser o Messias e foi executado pelo tribunal — Daniel já havia profetizado a respeito dele: 'os renegados do teu povo se exaltarão para cumprir a visão, e tropeçarão'... Pois todos os profetas disseram que o Messias libertará Israel, salvará o povo, reunirá os exilados e confirmará os mandamentos — enquanto este causou que Israel fosse destruído pela espada, os sobreviventes dispersos e humilhados, e a Lei trocada por outra religião... Mas ninguém pode compreender os desígnios do Criador, pois seus caminhos não são os nossos. Toda essa obra de Jesus serviu para preparar o caminho, para que o Messias finalmente venha e todo o mundo saiba que o Reino pertence ao Senhor."

Surpreendente: Maimônides diz que Jesus fez parte do plano divino — mas como "preparação", NÃO como o próprio Messias. 

 

PARTE 3 — DANIEL 9:24–27:

 As Setenta Semanas — Cálculos e Interpretações

  

1. O TEXTO BÍBLICO - DANIEL 9:24–27

*"Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa, para acabar com a transgressão, para selar os pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e o profeta, e para ungir o Lugar Santíssimo.

Sabe e entende: desde a saída da palavra para restaurar Jerusalém até o Messias, o Príncipe, haverá sete semanas; e sessenta e duas semanas — será restaurada... Depois das sessenta e duas semanas, o Ungido será cortado e não terá nada... E na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oferenda..."*

 

2. CÁLCULO CRISTÃO — 483 ANOS ATÉ JESUS

Fórmula: 7 semanas + 62 semanas = 69 semanas = 69 × 7 anos = 483 anos

Tabela:

Marco

Data proposta

Ordem de restaurar Jerusalém (Artaxerxes Longuano, Neemias 2:1)

444 a.C.

+ 483 anos

= ~ 30 d.C.

"O Ungido será cortado"

Jesus crucificado ~ 30–33 d.C.

70ª semana

ministério de 7 anos, metade = 3,5 anos duração do ministério público de Jesus

Conclusão cristã: A profecia aponta exatamente para a época de Jesus — "cortado" = morto; "faz cessar sacrifício" = seu sacrifício substitui os do Templo.

 

3. INTERPRETAÇÃO JUDAICA — NÃO É O MESSIAS DE JESUS

Objeções judaicas ao cálculo cristão:

1.         "Ungido" não é um só: o texto diz "até um Ungido, um Príncipe" e depois "depois de sessenta e duas semanas, um Ungido será cortado" — dois ungidos distintos, não o mesmo. O primeiro = governador ou sacerdote (ex.: Zorobabel), o segundo = figura posterior, não necessariamente o Messias final.

2.       Cálculo falha na contagem dos anos: os anos do calendário judaico/babilônico não coincidem exatamente com anos solares julianos; há lacunas e sobreposições — 444 a.C. + 483 não dá 30 d.C. exatamente (diferença de mais de 10 anos).

3.       "Fim de sacrifício" = coisa ruim, não boa: para os profetas, acabar com sacrifício sem arrependimento = maldição e desolação, não sacrifício perfeito. O texto continua: "abominação desoladora" — isso é inimigo destruindo o Templo, não Jesus.

4.       Nenhuma das promessas foi cumprida: Daniel 9:24 lista SEIS resultados que deveriam ocorrer nas 70 semanas:

  • ·        Acabar transgressão
  • ·        Pôr fim ao pecado
  • ·        Expiar iniquidade
  • ·        Trazer justiça eterna
  • ·        Selar visão e profecia
  • ·        Ungir Lugar Santíssimo

Visão judaica: NENHUM desses seis se cumpriu na época de Jesus. O pecado não acabou; a justiça eterna não veio; o Templo foi destruído, não ungido. Logo — a profecia ainda está por se cumprir no futuro.

 

4. QUADRO FINAL COMPARATIVO

Tabela:

Ponto

Cristianismo

Judaísmo

Isaías 53

Jesus = Servo sofredor pelos pecados

Servo = Israel sofrendo entre nações; leitura messiânica abandonada após séc. XII

Talmud sobre Jesus

Rejeitam como calúnias e distorções

Narram como desviador que praticou feitiçaria; reconhecem múltiplas figuras chamadas Yeshu

Daniel 9

483 anos = época exata de Jesus; "cortado" = crucificação

Cálculo impreciso; "Ungido" não é o Messias final; promessas não cumpridas

Messias sofre?

Sim — primeira vinda sofre, segunda vinda reina

Não — quando vier, fará TUDO de uma vez: paz, Templo, reino

Por que divergem?

Lêem "primeiro sofrimento, depois glória"

Lêem "glória e paz vêm PRIMEIRO — sem sofrimento prévio"

 

5. CONCLUSÃO COM RESPEITO

A divergência não é por falta de conhecimento ou má vontade. É por causa de uma premissa fundamental diferente:

  • ️ O cristianismo diz: O Messias veio em DUAS FASES — primeiro sofre, depois retorna em glória. Os profetas descreveram as duas fases sem separá-las.
  • ️ O judaísmo responde: Os profetas descreveram UMA ÚNICA VINDA — e tudo acontece de uma vez: paz, Templo, conhecimento de Deus. Se não cumpriu TUDO, NÃO é o Messias.

E essa diferença nasce de como se lêem as Escrituras, não de quem é melhor ou pior. Os dois povos amam o mesmo Deus, leem os mesmos profetas e esperam a era de justiça — mas discordam sobre quando e como ela chega.


Fontes Principais Consultadas:

  • Tanaj / Bíblia Hebraica (Torá, Profetas, Escritos)
  • Bíblia Cristã — Antigo e Novo Testamento
  • Maimônides — Mishné Torá, Hilchot Melachim (Leis dos Reis) 11:4, 11:10–12
  • Rashi — Comentário a Isaías 52–53
  • Talmud Bavli — Sanedrin, Avodá Zará
  • Chabad.org.br / Aish.com — Materiais educativos sobre fé judaica
  • Wikipédia / Artigos acadêmicos — Visões judaicas sobre Jesus; Debate Nahmânides
  • GotQuestions.org / CrossTalk — Perspectivas cristãs comparativas
  • Pesquisa e formatação e estudos - Pastor João Amilton.

Judaísmo x Cristianismo 1

JUDAISMOX CRISTIANISMO E JESUS CRISTO

 

ESTUDO COMPLETO 1:

Sobre o Judaísmo, Cristianismo e a Pessoa de Jesus Cristo e os Pontos de Concordâncias e de Divergências. Nesse estudo veremos as diferenças teológicas e doutrinárias desses segmentos da Palavras de Profecia, já que ambos tem muitas correlação entre uma e outra, porém com sérias divergências nas crença e maneira da adoração.

 

UMA DECLARAÇÃO PRELIMINAR:

Antes de tudo, é fundamental esclarecer um equívoco muito comum: os judeus não "desprezam" Jesus. A rejeição a ele como Messias e Filho de Deus não nasce de ódio ou desprezo, mas de diferenças teológicas, hermenêuticas e de interpretação das Escrituras Sagradas, construídas ao longo de milênios. Muitos judeus reconhecem Jesus como um mestre sábio, um moralista notável ou até um profeta — mas não como Deus, nem como o Messias prometido. Esta distinção é essencial para compreender a questão com respeito.

 

I. O QUE É O JUDAÍSMO

O Judaísmo é a religião monoteísta mais antiga do mundo, com cerca de 4.000 anos, nascida da aliança entre Deus e os patriarcas Abraão, Isaac e Jacob, formalizada com Moisés e a entrega da Torá no Monte Sinai. Seus textos sagrados formam o Tanah (Lei, Profetas e Escritos), correspondente ao que os cristãos chamam de Antigo Testamento.

Princípios Fundamentais do Judaísmo:

  • Monoteísmo absoluto: Deus é Único, indivisível, sem corpo, sem forma, não pode ser homem nem se tornar humano. Base: Shemá Israel: "Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor." — Deuteronômio 6:4.
  • A Torá e a Aliança: Deus estabeleceu com o povo judeu uma aliança eterna, mediante o cumprimento dos mandamentos (613 preceitos) e a santificação da vida.
  • O Messias (Mashiach): Será um ser humano comum, descendente do rei Davi por linha paterna, que virá nos últimos dias para:

Restaurar o reino de Israel

Construir o Terceiro Templo em Jerusalém

Reunir todos os exilados à Terra de Israel

Inaugurar era de paz universal, sem guerras nem sofrimento

Levar todo o povo a observar a Torá:

  • Salvação é coletiva e terrenamente realizada: não se baseia em sacrifício substitutivo, mas na fidelidade de todo o povo à Aliança.
  • Nenhuma pessoa pode ser adorada: adoração a ser humano = idolatria, uma das proibições mais graves da Torá.

 

II. O QUE É O CRISTIANISMO

O Cristianismo nasceu no século I, dentro do judaísmo do Segundo Templo, a partir do ministério de Jesus de Nazaré e de seus discípulos. Rapidamente se expandiu entre judeus e gentios, tornando-se religião distinta. Seus textos incluem o Antigo Testamento e o Novo Testamento.

Princípios Fundamentais do Cristianismo:

  • Trindade: Um só Deus em três Pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo, coeternos e consubstanciais.
  • Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus feito carne: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós." — João 1:1,14.
  • Jesus é o cumprimento de TODAS as profecias messiânicas do Antigo Testamento.
  • Salvação pela fé em Cristo: Ele morreu em sacrifício substitutivo pelos pecados de toda a humanidade e ressuscitou. A salvação vem pela graça, não apenas pelo cumprimento da Lei.
  • Duas fases do Messias: veio primeiro como Servo Sofredor (Isaías 53) e retornará como Rei Vitorioso para instaurar a era final.

 

III. POR QUE NÃO CONCORDAM SOBRE JESUS? — OS PONTOS DE RUPTURA

1. Jesus NÃO CUMPRIU as Profecias Messiânicas (Visão Judaica)

Segundo a Teologia Judaica, o Messias deve trazer imediatamente todos estes resultados:

Profecia

Texto

Estado em Jesus

Paz universal, fim das guerras

Isaías 2:1–4; Miqueias 4:1–4

Império Romano ocupava Israel; guerras continuaram

Reconstruir o Terceiro Templo

Ezequiel 37:26–28; Zacarias 6:12–13

Templo ainda estava de pé; destruído em 70 d.C.

Reunir os exilados à Terra de Israel

Isaías 11:11–12; Jeremias 31:8–10

Não aconteceu em sua época

Governar com justiça sobre todas as nações

Isaías 9:6–7; 11:1–5

Não estabeleceu reino político

Conhecimento universal de Deus

Isaías 11:9; Habacuque 2:14

Não se cumpriu

 

Maimônides (Rambam, 1138–1204) — Mishné Torá, Leis dos Reis 11:4:

"Se ele não teve sucesso em tudo isso ou foi morto, ele definitivamente não é o Messias prometido na Torá."

E ainda escreveu sobre Jesus especificamente: que ele foi "pedra de tropeço" que desviou multidões, pois não realizou nenhuma das obras que o Messias deveria realizar.

2. A Divindade de Jesus = Violação do Monoteísmo

Esta é a objeção mais grave e insuperável para o judaísmo:

  • A Torá proíbe terminantemente adorar qualquer ser humano ou imagem: "Não terás outros deuses diante de Mim." — Êxodo 20:3–5.
  • Deus é espírito, sem corpo, sem forma, não pode morrer nem sofrer. Tornar-se humano contraria Sua essência.
  • Chamar Jesus de "Deus" ou "Filho de Deus" no sentido cristão = idolatria para o judaísmo.
  • Para os judeus, "filho de Deus" nas Escrituras significa pessoa justa, líder ou anjo, nunca igualdade de natureza com Deus (ex.: Êxodo 4:22; Salmo 82:6).

3. A Linhagem de Davi — Divergência Insolúvel

  • Profecia: O Messias deve ser descendente de Davi por linha paterna, Jeremias 23:5; Gênesis 49:10; Isaías 11:1.
  • Cristianismo: Jesus nasceu de nascimento virginal, sem pai humano (Mateus 1:18–25; Lucas 1:34–35).
  • Objeção judaica: Se não tem pai humano, não pertence à tribo de Judá nem à casa de Davi por linhagem natural. José não é pai biológico, portanto, sua genealogia não transfere direito legal.

4. Sacrifício Expiatório vs. Perdão e Arrependimento

  • Cristianismo: O pecado exige sangue para perdão; Jesus morreu em lugar de nós, Isaías 53; Hebreus 9:22.
  • Judaísmo: "Que é o que o Senhor te pede, senão que temas o Senhor teu Deus, andes em todos os seus caminhos, e o ames..." — Miquéias 6:6–8. O perdão vem por arrependimento sincero, oração e boas obras, não há necessidade de sacrifício de pessoa alguma. A ideia de "pagar pecado alheio" contraria: "Cada um morrerá por sua própria iniquidade." — Jeremias 31:29–30; Deuteronômio 24:16.

 

IV. O QUE DIZEM AS ESCRITURAS — DUAS INTERPRETAÇÕES

1. Passagens que os Cristãos Apontam como Profecias Cumpridas em Jesus

Passagem (Antigo Testamento)

Interpretação Cristã

Interpretação Judaica

Isaías 7:14 — "A virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel"

Cumprido em Jesus, nascido de Maria virgem

Em hebraico: a palavra é almá = jovem mulher, não necessariamente virgem. Referência ao filho de Acaz, no século VIII a.C.

Isaías 52:13–53:12 — "Sofreu as nossas dores... levado à morte"

Jesus é o Servo Sofredor que morre pelos pecados

A maioria dos rabinos clássicos (até séc. XI) interpretava como Messias; a partir de Rashi (séc. XII), tornou-se dominante: o "Servo" é o povo de Israel sofrendo entre as nações, não uma pessoa individual.

Miqueias 5:2 — "E tu, Belém Efrata... de ti sairá para Mim o que há de ser Senhor em Israel"

Jesus nasceu em Belém

Referência à origem davídica; não implica nascimento literal naquela cidade em época específica

Daniel 9:25–26 — "Até o Messias, o Príncipe..."

Calculam-se 483 anos até Jesus

Outro cálculo cronológico; "Messias" = ungido, não necessariamente o final; texto fala de fim de sacrifício que não ocorreu

Zacarias 9:9 — "Eis que vem a ti o teu Rei... montado num jumento"

Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém

Rei messiânico que vem depois de triunfar, não antes de ser morto

Salmo 110:1 — "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita"

Jesus citou como prova de divindade (Mateus 22:41–46)

Diálogo entre Deus e o rei Davi (ou anjo); não entre Deus e um descendente

 2. O Novo Testamento Afirma:

  • Jesus é o cumprimento: "Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas cumprir." — Mateus 5:17.
  • É o Filho eterno: "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado." — Marcos 1:11; "Eu e o Pai somos um." — João 10:30.
  • Ressurreição como prova: "Eis que vos declaro o que está escrito: que o Cristo havia de sofrer... e converteria os homens das nações." — Atos 3:18–26.

3. O Tanah (Escrituras Hebraicas) Segundo a Leitura Judaica:

  • Deuteronômio 13:1–5: Qualquer profeta que incentive adorar outro Deus = falso profeta,  mesmo que faça sinais. Para judaísmo, ensino de Jesus sobre si mesmo como Deus se encaixa nesse alerta.
  • Isaías 43:10: "Antes de Mim não foi formado deus algum, nem depois de Mim o será."  rejeita qualquer intermediário divino.
  • Os sacrifícios voltarão: profecias de Ezequiel 40–48 descrevem sacrifícios no Terceiro Templo — contrário à ideia de sacrifício único e definitivo.

 

V. O QUE DIZEM RABINOS E FONTES JUDAICAS

Maimônides (Rambam, 1138–1204) — Mishné Torá, Leis dos Reis 11:4 e 11:10–12.

"O Rei Messias se levantará... restaurará o reino de Davi... reconstruirá o Templo... reunirá os dispersos de Israel... Se não teve sucesso em tudo isso, ele definitivamente não é o Messias prometido na Torá... Jesus de Nazaré que pensava ser o Messias e foi executado pelo tribunal — Daniel já profetizou sobre ele: 'os renegados do teu povo se exaltarão para estabelecer a visão, e tropeçarão'. Nenhum profeta prometeu que o Messias removeria a Torá... pois seus ensinamentos causaram que Israel fosse destruído pela espada, seus sobreviventes dispersos, e a Torá trocada por outra religião."

1. Rashi (Rabino Shlomo Yitzchaki, 1040–1105)

  • Principal comentarista da Bíblia Hebraica. Reinterpretou Isaías 53 como referindo-se ao povo de Israel, não ao Messias. Essa mudança se deu, em grande medida, pela pressão e perseguição cristãs: a Igreja usava Isaías 53 para justificar o sofrimento dos judeus como "rejeitadores de Cristo".

2. Talmud e Literatura Antimissionária

  • Em textos do Talmud (séc. II–V), há referências indiretas ("aquele homem", "Yeshu") — geralmente críticas, acusando de praticar magia e desviar Israel. Importante: não são biografias históricas, e muitas vezes referem-se a versões distorcidas da imagem cristã, não à pessoa real de Jesus.
  • Rabi Nahmânides (Rambã, 1194–1270): em debate público com cristãos, admitiu que algumas passagens parecem apontar para um Messias sofredor, mas insistiu que a tradição rabínica ensina que isso aconteceria no FIM, não antes.

3. Visões Modernas

  • Judaísmo Ortodoxo: mantém posição de Maimônides — Jesus não cumpriu sinais messiânicos; adoração a ele = idolatria.
  • Judaísmo Reformista/Liberal: vê Jesus como mestre moral sábio, parte da época, mas não divino nem salvador universal. A salvação é de toda a humanidade mediante justiça e retidão, não por uma pessoa.
  • Judeus Messiânicos: minoria que crê em Jesus como Messias mas mantém práticas judaicas — rejeitados pela comunidade judaica geral.

 

VI. RESUMO DAS INCOMPATIBILIDADES CENTRAIS

Questão

Cristianismo

Judaísmo

Natureza de Deus

Trindade — Pai, Filho e Espírito

Deus é Único, indivisível, sem forma

Jesus é...

Deus-Filho encarnado, Salvador do mundo

Ser humano, mestre ou profeta — não Deus nem Messias

Messias vem para...

Sofrer, morrer pelos pecados, ressuscitar e salvar pela fé

Libertar Israel, construir Templo, trazer paz mundial

Quando se cumpre?

Em duas fases: primeira vinda (sofrimento), segunda (glória)

Uma só vinda — tudo de uma vez, sem sofrimento nem morte

Perdão dos pecados

Mediante fé e sacrifício expiatório de Cristo

Mediante arrependimento, oração e boas obras

Lei de Moisés

Cumprida e aperfeiçoada em Cristo; não obrigatória para salvação

Eterna e imutável; marca da Aliança entre Deus e Israel

Escrituras

Antigo + Novo Testamento

Apenas o Tanaj; rejeita Novo Testamento como revelação

 

VII. CONCLUSÃO COM RESPEITO

A divergência não é sobre ignorância ou ódio, mas sobre quem é Deus, como Ele se revela e o que Ele prometeu.

  • O cristianismo lê as Escrituras retrospectivamente à luz de Jesus: o Messias veio, sofreu e ressuscitou — e voltará para cumprir o resto.
  • O judaísmo lê as Escrituras segundo os critérios declarados nelas: o Messias cumprirá todas as promessas de paz, Templo e reconciliação antes de ser aceito como tal. Como Jesus não cumpriu nenhuma delas, não pode ser o Messias. E como adora-lo contraria o mandamento primeiro e maior — não pode ser Deus.

Para refletir: Os dois povos amam o mesmo Deus, leem os mesmos Livros sagrados e esperam a era de paz prometida pelos profetas. Discordam sobre quando e em quem isso se cumpre. E essa diferença, infelizmente, foi usada ao longo dos séculos para perseguições e derramamento de sangue — algo que nenhuma das duas religiões aprova em seus textos originais.

 

Fontes Principais Consultadas:

  • Tanaj / Bíblia Hebraica (Torá, Profetas, Escritos)
  • Bíblia Cristã — Antigo e Novo Testamento
  • Maimônides — Mishné Torá, Hilchot Melachim (Leis dos Reis) 11:4, 11:10–12
  • Rashi — Comentário a Isaías 52–53
  • Talmud Bavli — Sanedrin, Avodá Zará
  • Chabad.org.br / Aish.com — Materiais educativos sobre fé judaica
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  • Pesquisa e formatação e estudos - Pastor João Amilton.

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JUNTA CONCILIADORA - CONEMAD-RS

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Presidência, Relatoria e Membrasia da Junta Conciliadora da Convenção das Igrejas Evangélicas das Assembleias de Deus Ministério de Madureira do Estado do Rio Grande do Sul - CONEMAD-RS.

CIBE-RS - CONFEDERAÇÃO DAS IRMÃS BENEFICENTES EVANGÉLICAS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

CIBE-RS - CONFEDERAÇÃO DAS IRMÃS BENEFICENTES EVANGÉLICAS NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
O que é CIBE? Fundada em 1968 pela saudosa Missionária ZÉLIA BRITO MACALÃO, a Confederação das Irmãs Beneficentes Evangélicas - CIBE, foi criada pela Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira - CONAMAD, com a finalidade de ser um braço da igreja na ação social. Sua atuação baseia-se nos princípios fundamentais das Sagradas Escrituras e em conformidade com a legislação vigente. Cabe à CIBE desenvolver ações voltadas ao atendimento, amparo e acolhimento de necessitados e desamparados. Atualmente nossas Igrejas participam de apoio a asilos, orfanatos, abrigos, atuando na arrecadação e distribuição de gêneros alimentícios, remédios, agasalhos, cobertores, calçados e roupas. Palavra de Deus: "Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas" (Isaías 1.17). Venha fazer parte da CIBE você também!

SEMMAD-RS - SECRETARIA DE MISSÕES 2022-2026

SEMMAD-RS - SECRETARIA DE MISSÕES 2022-2026
Qual é o papel de uma Secretaria de missões? A Secretaria de Missões tem a obrigação de manter a igreja sempre bem informada a respeito de seus missionários e também da obra missionária de maneira geral e abrangente.

UMARDERSUL - União da Mocidade do Ministério de Madureira

UMARDERSUL - União da Mocidade do Ministério de Madureira
Composição da Diretoria da UMADERSUL - União da Mocidade do Ministério de Madureira do Estado do Rio Grande do Sul para o quadriênio de 2023 a 2026.

DIRETORIA DO CAMPO DE PALMEIRA DAS MISSÕES

DIRETORIA DO CAMPO DE PALMEIRA DAS MISSÕES
ANO 2025

ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA MADUREIRA - ASSEMAD 2025/2026

ASSOCIAÇÃO EVANGÉLICA MADUREIRA - ASSEMAD 2025/2026
ANO 2025/2026

ASSOCIAÇÃO CASA DA SOPA DE IRAÍ

ASSOCIAÇÃO CASA DA SOPA DE IRAÍ
DIRETORIA ACSI - BIÊNIO 2024/2025

ASSEMBLÉIA DE DEUS MADUREIRA PALMEIRA DAS MISSÕES

ASSEMBLÉIA DE DEUS MADUREIRA PALMEIRA DAS MISSÕES
Fotografia tirada no dia 24 de janeiro de 2004, por ocasião da Congregação Palmeira das Missões pertencente ao Campo de Cruz Alta, pela presidente da época do Pastor ANTÔNIO CARLOS RODRIGUES DOS SANTOS CAMPOS.inistério de Madureira em Palmeira das Missões

PÓRTICO NORTE DA ENTRADA DE PALMEIRA DAS MISSÕES

PÓRTICO NORTE DA ENTRADA DE PALMEIRA DAS MISSÕES
A cidade de Palmeira das Missões, esta localizada na Região Norte do Estado do Rio Grande do Sul, conhecida como a Capital da Erva Mate. Entre os episódios ocorridos no antigo município de Palmeira das Missões durante a Revolução Federalista de 1893, tem particular interesse o morticínio do Distrito de Boi Preto, um dos maiores da luta que, só encontra paralelo no genocídio da Mangueira de Pedra (Rio Negro, Bagé), que o precedeu e, segundo voz corrente, foi ainda maior. Afirma-se que naquela cidade da Fronteira Sul, os sacrificados por Adão de La Torre (e outros) somaram 410, enquanto na hecatombe serrana , conforme telegrama do comandante do massacre Firmino de Paula ao Presidente Júlio de Castilhos, atingiram 370. Formação Administrativa do município de Palmeira das Missões, cuja sede pertencia ao antigo 3.º Distrito do município de Cruz Alta, foi criado por força da Lei Provincial nº 928, de 6 de maio de 1874, com território desmembrado dos municípios de Cruz Alta e de Passo Fundo, se instalando definitivamente no 7 de abril do ano seguinte.