Relato histórico de José do Egito como governador do Egito
Após anos de humilhação, injustiça e prisão, José, filho de Jacó vive uma reviravolta decisiva em sua história por volta do século XIX–XVIII a.C., durante o período do Egito Médio.
José estava preso injustamente quando Faraó, soberano absoluto do Egito, teve dois sonhos perturbadores que nenhum sábio, mago ou sacerdote egípcio conseguiu interpretar. Nesse momento, o copeiro-chefe lembrou-se de José, um hebreu que, anos antes, havia interpretado corretamente seu sonho na prisão.
José foi então chamado às pressas, barbeado e vestido adequadamente para comparecer diante do trono real (Gn 41). Ao ouvir os sonhos, José deixou claro que não era por sua própria capacidade, mas que Deus era quem dava a interpretação.
- Os sonhos de Faraó e sua interpretação:
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Sete vacas gordas devoradas por sete vacas magras;
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Sete espigas boas consumidas por sete espigas secas;
José explicou que os sonhos significavam:
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Sete anos de grande fartura em toda a terra do Egito;
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Seguidos por sete anos de fome severa, que consumiriam completamente a abundância anterior.
Ele sugeriu:
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Armazenar um quinto da produção durante os anos de fartura
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Criar celeiros em todo o território
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Centralizar a administração sob um homem sábio e prudente.
- A nomeação de José como governador
Impressionado, Faraó reconheceu que o Espírito de Deus estava em José e declarou: “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem haja o Espírito de Deus?”. Então, Faraó tomou uma decisão sem precedentes:
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Retirou seu anel-sinete (símbolo de autoridade)
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Vestiu José com roupas de linho fino
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Colocou um colar de ouro em seu pescoço
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Fez-o andar no segundo carro real
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Proclamou que ninguém moveria a mão ou o pé no Egito sem a ordem de José
Assim, José foi elevado à posição de governador do Egito, tornando-se o segundo homem mais poderoso do império, abaixo apenas de Faraó.
- José no exercício do governo
Com apenas 30 anos de idade, José percorreu todo o território do Egito, organizando:
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Arrecadação de grãos
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Construção e administração de celeiros
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Planejamento logístico em escala nacional
Quando a fome chegou, o Egito tornou-se o único centro de provisão da região, atraindo povos de várias nações, inclusive seus próprios irmãos, cumprindo assim os sonhos que José tivera na juventude.
- Significado histórico e teológico
a. Historicamente, José representa:-
A integração de administradores semitas na burocracia egípcia;
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Um modelo avançado de gestão econômica estatal;
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A centralização do poder econômico nas mãos do Estado egípcio.
b. Teologicamente, o relato revela:
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A soberania divina sobre reis e impérios;
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A fidelidade de Deus em transformar sofrimento em propósito;
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A elevação daquele que permanece fiel, mesmo na adversidade.
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Período aproximado: 1900–1700 a.C.;
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Fase do Egito: Egito Médio (final da XII dinastia ou transição para XIII);
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Sistema político: Monarquia absoluta, administração centralizada, forte burocracia;
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Presença semita no Egito: Documentada por fontes arqueológicas (asiáticos no delta do Nilo);
- José não surge como exceção histórica, mas como exemplo documentável de estrangeiros semitas em altos cargos administrativos:
- A ascensão de José no Egito (Gênesis 37-50) se alinha com evidências históricas de estrangeiros semitas (asiáticos) ocupando altos cargos administrativos, especialmente durante o Período Intermediário e o Novo Império. A narrativa reflete práticas comuns onde imigrantes, comerciantes ou prisioneiros de guerra eram integrados à burocracia, tornando a trajetória de José um exemplo documentável da presença "asiática" na administração egípcia.
- O período histórico provável de José se assemelha à era dos Hicsos (dinastias 15-16), governantes de origem semita que controlaram o Baixo Egito e facilitaram a ascensão de outros asiáticos a posições de poder.
- Administradores Estrangeiros: Registros arqueológicos e hieráticos do Médio e Novo Império confirmam que asiáticos (Levantinos) serviam como escribas, capatazes e administradores, desmistificando a ideia de que apenas egípcios nativos ocupavam tais posições.
- A "Casa de Potifar" e o Cárcere: A rápida ascensão de José de escravo a administrador da casa de Potifar e, posteriormente, à gestão da prisão, reflete a mobilidade social possível para estrangeiros competentes.
- Vizir e a Fome: O cargo de José como governador (vizir) e o gerenciamento de recursos durante sete anos de fome encontram paralelo em descrições de altos funcionários egípcios, como a inscrição da tumba de Baba, que menciona a distribuição de grãos em tempos de escassez.
- Embora a arqueologia egípcia não mencione "José" especificamente pelo nome, sua história ilustra o contexto documentado de acolhimento, ascensão e influência de semitas na alta administração faraônica.
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יֹוסֵף – Yosef
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Raiz: yasáf = “acrescentar”, “aumentar”
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Significado: “Que o Senhor acrescente”
📖 Gênesis 30:24 - “E chamou o seu nome José, dizendo: Acrescente-me o Senhor ainda outro filho”.
Família
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Pai: Jacó (יַעֲקֹב – Ya‘aqov)
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Mãe: Raquel (רָחֵל – Raḥel)
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Tribo: José torna-se dupla herança por meio de seus filhos.
- Davi (David): Significa "amado".
- Gabriel: Significa "homem de Deus" ou "fortaleza de Deus".
- Daniel: Significa "Deus é meu juiz".
- Miguel (Michael): Significa "quem é como Deus?".
- Emanuel: Significa "Deus está conosco".
- Calebe (Calev): Significa "todo coração".
- Isaac (Itzhak): Significa "ele rirá".
- Jacó (Yaakov): Significa "calcanhar" ou "suplantador".
- Elohim: Deus todo-poderoso.
- YHVH (Yahweh/Jeová): O Senhor (o nome inefável).
- Adonai: Senhor ou Mestre.
- El Shaddai: Deus Onipotente.
- Hashem: Literalmente "O Nome".
3. OS SONHOS PROFÉTICOS (ADOLESCÊNCIA)
Na Palavra de Deus no Livro de Gênesis 37,5–7, encontramos a seguinte mensagem: “José teve um sonho e o contou a seus irmãos; por isso, o odiaram ainda mais. Disse-lhes: Ouvi, peço-vos, este sonho que tive: Estávamos nós atando molhos no campo, e eis que o meu molho se levantava e também ficava em pé; e eis que os vossos molhos rodeavam e se inclinavam perante o meu”.
Também em Gênesis 37,9: “Teve ainda outro sonho e o contou a seus irmãos, dizendo: Eis que ainda tive um sonho; e o sol, e a lua, e onze estrelas se inclinavam perante mim”.
Comentário aprofundado:
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Sonhos no mundo antigo eram meios legítimos de revelação divina;
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O duplo sonho confirma autoridade e certeza profética;
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José ainda é imaturo na forma de comunicar, mas não falso no conteúdo.
4. VENDA COMO ESCRAVO
Na Palavra de Deus, em Gênesis 37,28, relata o seguinte: “Passando, pois, os mercadores midianitas, os irmãos de José o alçaram e tiraram-no do poço e o venderam por vinte siclos de prata aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito”.
Valor de 20 siclos = preço comum de escravo jovem semita (documentado em tábuas de Mari)
- José do Egito (filho de Jacó, AT) e Jesus de Nazaré (NT) são figuras distintas e distantes no tempo, unidas teologicamente pela prefiguração e proteção. José do Egito foi um governador no Egito, enquanto Jesus é considerado o Filho de Deus. Ambos, porém, passaram pela terra egípcia e se submeteram a planos divinos.
- Diferenças Principais: José do Egito (Antigo Testamento): Filho de Jacó, vendido como escravo por seus irmãos, tornou-se governador do Egito, salvando o povo da fome.
- Jesus de Nazaré (Novo Testamento): O Messias cristão, concebido pelo Espírito Santo, criado por José (pai adotivo) e Maria.
- Relação com o Egito: José do Egito governou lá, enquanto Jesus foi levado para lá ainda bebê para escapar da perseguição de Herodes.
- Paralelo Teológico: Na tradição cristã, ambos são vistos como instrumentos divinos que, em simplicidade e obediência, cumpriram os planos de Deus, com o José do Egito sendo, muitas vezes, visto como uma figura que aponta para a história de Jesus.
- José do Egito foi vendido por 20 peças de prata (siclos) pelos seus irmãos (Gênesis 37:28), enquanto Jesus foi traído por 30 moedas de prata (provavelmente tetradracmas ou siclos de Tiro) por Judas (Mateus 26:15). O valor de José era o preço padrão de um escravo jovem na época, enquanto as 30 moedas de Jesus representavam o valor legal de um escravo no Antigo Testamento.
5. JOSÉ NA CASA DE POTIFAR
- Nome egípcio
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Potifar
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Título: Saris (oficial da corte)
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Cargo: “Chefe da guarda” (provável comandante da polícia real)
Palavra de Deus: Gênesis 39,2–4: “O Senhor era com José, que veio a ser homem próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio… Vendo Potifar que o Senhor era com ele… confiou-lhe tudo quanto tinha”.
Comentário:
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José domina administração egípcia:José cria uma política e uma infraestrutura agrícola de longo prazo (Gênesis 41.46-57) José imediatamente começou a fazer o trabalho para o qual o faraó o havia designado. Seu principal interesse era fazer o trabalho para os outros, em vez de tirar vantagem pessoal de sua nova posição à frente da corte real.
- José do Egito estava na prosperidade ligada à presença de Deus, e não à posição social:
- Gênesis 39,9: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?”
- Gênesis 39,20: “E o lançou na prisão, no cárcere onde os presos do rei estavam encerrados”.
Mesmo inocente, José sofre injustiça, padrão recorrente nos servos fiéis.
- Traição Familiar: Seus irmãos, movidos por inveja, venderam-no como escravo.
- Falsa Acusação: Após resistir à sedução da esposa de Potifar, foi injustamente preso, mesmo agindo com integridade.
- Esquecimento: Foi esquecido pelo copeiro-mor após interpretar seu sonho, prolongando seu sofrimento na prisão.
- A Resposta da Fé: A integridade e fidelidade. Mesmo em ambientes hostis, José manteve-se fiel a Deus e honesto em suas ações, servindo com diligência tanto na casa de Potifar quanto na prisão.
- Foco no Propósito Divino: José compreendeu que "o que os homens planejaram para o mal, Deus tornou em bem" (Gênesis 50:20).
- Perdão: José demonstrou maturidade espiritual ao perdoar seus irmãos, focando na preservação da sua família.
- Superação: A história de José é um modelo de superação de adversidades, onde a retidão sob injustiça prepara o servo para o propósito de Deus.
7. OS SONHOS NA PRISÃO
Narração dos fatos pela Palavra de Deus em Gênesis 40,8: “Não são de Deus as interpretações? Contai-mas, peço-vos”.
Personagens;
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Copeiro-chefe (restaurado)
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Padeiro-chefe (executado)
Palavra de Deus em Gênesis 40,23: “O copeiro-chefe, porém, não se lembrou de José, antes se esqueceu dele”. Dois anos de silêncio foi o tempo de Deus amadurecendo o instrumento como Seu instrumento na terra do Egito.
- O Sonho do Copeiro: Viu uma videira com três ramos, produziu uvas, espremeu-as na taça do Faraó e deu a ele. José interpretou: em três dias, ele seria restaurado ao seu cargo.
- O Sonho do Padeiro: Viu três cestos brancos sobre sua cabeça com pães para o Faraó, e aves os comiam. José interpretou: em três dias, ele seria executado (enforcado/empalado).
- O Cumprimento: A interpretação foi exata. O aniversário do Faraó trouxe a restauração do copeiro e a morte do padeiro.
- A Consequência: José pediu que o copeiro o lembrasse perante o Faraó, mas foi esquecido por mais dois anos. A narrativa destaca a fidelidade de José e sua confiança em Deus, mesmo em circunstâncias adversas, usando seus dons para servir.
- 8. JOSÉ DIANTE DE FARAÓ
- A Palavra de Deus, relata em Gênesis 41,16, dizendo: “Isso não está em mim; Deus dará resposta favorável a Faraó”, momento entre José e Faraó.
- Interpretação:
a. 7 anos de fartura - Interpretação:
- Providência e Soberania de Deus: José enfatiza que o sonho não foi sorte, mas uma revelação do que Deus ia fazer. Os sete anos de vacas gordas e espigas cheias foram o período de "graça" para acumular recursos.
- O Propósito da Fartura: A abundância não era apenas para consumo imediato, mas para armazenamento (recolher a quinta parte). O objetivo era evitar a destruição total da terra pela fome subsequente.
- As "Vacas Magras" Esquecem as Gordas: A abundância seria tão intensa que a fome subsequente a faria ser esquecida, evidenciando a fragilidade humana e a necessidade de gestão sábia de recursos.
- Instrumento de Preservação de Israel: Teologicamente, o plano de José durante a fartura garantiu não apenas a sobrevivência do Egito, mas também a sobrevivência da família de Jacó (o povo da aliança), que viria a depender do trigo estocado no Egito.
Palavra de Deus sobre a sabedoria de José diante de Faraó, em Gênesis 41,38: “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem haja o Espírito de Deus?”
- Soberania e Revelação Divina: José destaca que o sonho não veio de sua própria sabedoria, mas que "Deus revelou ao Faraó o que ele vai fazer". A fome é um decreto divino, não um simples acaso natural.
- Providência na Adversidade: Os sete anos de fartura, seguidos de sete anos de fome, demonstram a gestão de Deus sobre a abundância e a escassez, permitindo que José, através de uma administração sábia, armazenasse comida para sobreviver.
- Preservação da Aliança: Teologicamente, a fome na terra de Canaã serve para forçar a migração da família de Jacó (filhos de Israel) para o Egito, garantindo a sobrevivência deles e o cumprimento das promessas feitas a Abraão.
- José como Tipo de Cristo (Salvador): Assim como José salvou o Egito e as nações vizinhas da morte pela fome, ele é interpretado como um precursor de Cristo, que supre a necessidade espiritual e física, recebendo autoridade para salvar.
- O Propósito do Sofrimento: A fome atua para realizar o propósito de Deus, transformando o mal (a venda de José pelos irmãos) em bem, como o próprio José afirma: "Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra".8
9. NOME E POSIÇÃO EGÍPCIA
José no novo nome egípcio: צָפְנַת פַּעְנֵחַ – Tsafenat-Paneach.
a. Possíveis significados:
“Deus fala e vive”;
“Revelador de mistérios".
Na Palavra de Deus, conforme Gênesis 41,41 diz: “Disse mais Faraó a José: Vês aqui te faço autoridade sobre toda a terra do Egito”
- Anel de Selar (Selo Real): Significava que José podia assinar decretos em nome do Faraó, conferindo-lhe a autoridade máxima.
- Colar/Corrente de Ouro: Um símbolo de alta distinção e honra no Antigo Egito.
- Vestes de Linho Fino: Roupas nobres que marcavam sua posição elevada na corte.
- A Carruagem do Vice-Rei: José desfilou na segunda melhor carruagem do Faraó, e o povo o aclamava.
- Nome Egípcio (Zafenate-Paneia): Interpretado frequentemente como "revelador de segredos" ou "Deus fala e vive", consolidando sua integração na liderança egípcia.
- Esposa de Posição: Casou-se com Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
Os Filhos - Manassés e Efraim:
- Manassés: O mais velho, cujo nome significa "fazer esquecer", pois José sentiu que Deus o fez esquecer de seus sofrimentos e de sua casa paterna.
- Efraim: O mais novo, cujo nome significa "duplamente frutífero", pois José prosperou na terra de sua aflição.
- Importância: Manassés e Efraim foram adotados por seu avô Jacó (Israel) como seus próprios filhos, recebendo herança direta e dando origem a duas das tribos de Israel, o que consolidou a "porção dobrada" de José.
- A Necessidade: Devido à severa fome, Jacó enviou dez de seus filhos ao Egito, mantendo apenas Benjamim em casa.
- O Reencontro: Ao chegarem, os irmãos se inclinaram perante José, cumprindo os sonhos de sua juventude, sem reconhecer que o governador era o irmão que venderam.
- Os Testes: José agiu com dureza, acusando-os de espionagem, prendendo Simeão e exigindo que trouxessem Benjamim para provar que falavam a verdade.
- A Revelação: Após ver que eles protegeram Benjamim e que Judá se ofereceu como escravo no lugar do irmão mais novo, José se emocionou, chorou e revelou sua identidade: "Eu sou José, o irmão que vocês venderam ao Egito".
- O Propósito Divino: José confortou os irmãos, afirmando que Deus o enviou adiante para conservar suas vidas e salvar sua família da fome, transformando a traição deles em salvação.
- José convidou todo o clã de Jacó, composto por 66 pessoas, a se estabelecerem na terra de Gósen.
- O encontro resultou na reconciliação familiar e na preservação da linhagem de Israel durante a fome.
- Soberania sobre o Mal: José afirma explicitamente: "Não foram vocês que me enviaram para cá, mas Deus" (Gn 45:8), e "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem" (Gn 50:20).
- A Fome como Ferramenta: A fome não é apenas um desastre, mas um instrumento para trazer a família de Jacó ao Egito, salvando-a e permitindo que se tornem uma grande nação, cumprindo as promessas a Abraão.
- Propósito Redentor: A providência transforma o sofrimento (venda de José, prisão) em posição de autoridade (governador) para salvar o próprio povo de Israel e as nações.
- Reconciliação e Graça: O encontro é marcado pelo choro e perdão de José, sublinhando que a graça divina opera acima da falha humana.
- Cumprimento de Sonhos: O encontro realiza os sonhos de infância de José (seus irmãos se prostram), mostrando que o plano de Deus prevalece.
12. JOSÉ E A TEOLOGIA DA HISTÓRIA
Na Palavra de Deus, sobre o tema diz em Gênesis 50,20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”.
a. Síntese teológica:Soberania divina: A história de José do Egito (Gênesis 37-50) é uma demonstração primorosa da soberania divina (Deus no controle) agindo através da providência (direção invisível) para cumprir propósitos, transformando ações malignas humanas em salvação e bênção. A síntese teológica destaca que Deus utiliza o sofrimento, a paciência e a fidelidade para mover seu plano soberano.
- Providência sobre o Mal: A soberania de Deus não elimina a responsabilidade humana, mas a engloba. O que os irmãos de José intentaram para o mal, Deus reverteu para o bem, visando a preservação de muitas vidas (Gn 50:20).
- Fidelidade na Adversidade: A presença de Deus com José (na prisão e na casa de Potifar) demonstra que a soberania divina não isenta o crente da dor, mas o sustenta, transformando situações adversas em degraus para o propósito.
- Cumprimento da Aliança: A ida de José ao Egito foi o meio soberano de cumprir a promessa feita a Abraão de que sua descendência peregrinaria em terra alheia, preparando o cenário para o êxodo futuro.
- Reconhecimento da Soberania: A frase de José, "não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus" (Gn 45:8), resume o reconhecimento maduro de que Deus dirige o curso da história e os detalhes da vida individual.
b. Providência histórica:
- Soberania sobre o Mal: O sofrimento de José (vendido, preso injustamente) foi parte de um plano divino maior. José reconhece isso ao dizer: "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem" (Gn 50:20).
- Preservação da Aliança: A providência de Deus plantou José no Egito para garantir a sobrevivência de Israel (a família de Jacó) durante a fome, permitindo o crescimento do povo.
- A Caravana de Deus: A trajetória de José ensina que, mesmo em crises profundas, a intervenção de Deus está em movimento, transformando o "buraco" em um lugar de preparação para um propósito elevado.
- Fidelidade na Adversidade: A confiança inabalável de José em Deus, mesmo sem entender os acontecimentos imediatos, reflete uma fé que não murmura, mantendo a integridade.
- Maturidade e Perdão: A providência divina não visa apenas o conforto, mas o amadurecimento. José perdoa seus irmãos, reconhecendo que a ação divina precedeu a sua posição de poder.
c. Redenção do sofrimento:
- A Soberania Divina sobre o Mal: A teologia de José não ignora a maldade dos irmãos ou de Potifar, mas coloca a ação de Deus acima delas. O sofrimento não é em vão, mas parte de um planejamento divino para levar José à posição de governador e salvador de nações.
- O Sofrimento como Agente de Moldagem (Purificação): Mais de 10 anos de prisão e escravidão transformaram um jovem sonhador arrogante em um líder maduro e humilde, capacitado por Deus.
- O Propósito Redentor (Salvação de Vidas): A providência de Deus permitiu a "descida" de José ao Egito para que ele pudesse, no futuro, fornecer alimento e salvar sua família (a aliança de Israel) e os egípcios da fome.
- Perdão e Reconciliação: A redenção do sofrimento resulta na cura de José, que não busca vingança. Ele escolhe perdoar, reconhecendo que seu sofrimento foi permitido por Deus para um propósito maior de reconciliação.
- Tipologia de Cristo: A trajetória de José, amado, traído, vendido, condenado injustamente e, após o sofrimento, exaltado para salvar, é um "tipo" (prefiguração) de Jesus Cristo, que redime a humanidade através de sua própria dor.
- Perdão como Soberania Divina (Providentialismo): A teologia de José não ignora o pecado, mas o submete ao plano de Deus. A famosa frase "vocês planejaram o mal, mas Deus o transformou em bem" (Gn 50:20) redefine a ofensa sob a luz da soberania divina.
- A decisão Consciente sobre a Emoção: José não perdoou por ter esquecido o sofrimento, mas por uma decisão consciente de não se vingar, governando a si mesmo antes de governar o Egito. O perdão é apresentado como um fruto da maturidade espiritual.
- Reconciliação e Restauração, não Amnésia: José perdoou, mas testou o caráter de seus irmãos para ver se haviam mudado (Gênesis 42-44). O clímax é a restauração da família e a provisão de sustento, mostrando que o perdão busca a cura e a restauração das relações, não o esquecimento total do mal.
- O Clímax como Libertação do Passado: O perdão de José libertou a ele próprio e a seus irmãos. Ao perdoar, ele se tornou uma "árvore frutífera à beira da fonte", um referencial de graça que supera a lógica humana da retaliação.
- 1. Morte e Embalsamamento:
- Idade e Causa: José morreu com 110 anos, tendo vivido o suficiente para ver a terceira geração de seus filhos.
- O Último Desejo: José expressou fé de que Deus visitaria os israelitas e os tiraria do Egito, pedindo que levassem seus restos mortais para a terra prometida.
- Sepultamento no Egito: Como era costume para figuras importantes no Egito, José foi embalsamado e colocado em um caixão, permanecendo lá até o Êxodo.
- 2. Traslado para Canaã:
- O Juramento: José fez com que os filhos de Israel prometessem tirar seus ossos do Egito quando Deus os libertasse.
- O Transporte: Moisés, durante o Êxodo, carregou consigo os ossos de José, cumprindo o juramento feito pelas gerações anteriores.
- Sepultamento Final: Os ossos de José foram sepultados em Siquém, em um campo que Jacó, pai de José, havia comprado dos filhos de Hamor por cem peças de prata. O local é reconhecido como o Túmulo de José.
A história de José foi e é uma verdadeira fonte histórica e teológica:
a. Histórico (contexto plausível e documentado):
- Principais Fatos da Vida de José:
- Favoritismo e Inveja: José, filho de Raquel, ganhou uma túnica especial de Jacó, gerando inveja em seus dez meio-irmãos.
- Sonhos e Venda: Seus sonhos sobre grandeza levaram os irmãos a jogá-lo num poço e vendê-lo a mercadores.
- Escravidão e Prisão: Vendido a Potifar, José prosperou, mas foi injustamente preso após resistir à esposa de seu amo.
- Governador do Egito: Interpretou os sonhos do Faraó sobre 7 anos de fartura e 7 de fome, sendo nomeado governador para gerir os recursos.
- Reconciliação: Durante a fome, José reencontrou seus irmãos, perdoou-os e trouxe sua família para viver no Egito.
- A história destaca a providência divina, transformando tragédias em vitória.
- José é um exemplo de integridade e sabedoria em gestão.
- O relato situa-se no contexto de Canaã e Egito por volta de 1600 -1700 a.C.
- Sonhador e Intérprete: José recebeu sonhos de Deus sobre sua posição futura e interpretou corretamente os sonhos do copeiro, padeiro e Faraó, demonstrando um dom profético.
- Visão de Fartura e Fome: A interpretação profética sobre as vacas gordas/magras e espigas permitiu que o Egito, sob sua administração como governador, se preparasse para sete anos de fome, salvando muitas nações, incluindo sua própria família.
- Instrumento de Deus: A vida de José demonstra como o propósito divino se realiza através de circunstâncias adversas,transformando traições e escravidão em salvação.
- Tipologia de Cristo: Muitos estudiosos enxergam em José uma prefiguração de Jesus: ambos foram amados pelo pai, rejeitados pelos irmãos, vendidos por um preço, falsamente acusados e, eventualmente, tornaram-se salvadores/governantes, perdoando aqueles que os traíram.
- Resiliência e Sabedoria: Manteve sua integridade e fé em Deus durante as provações (escravidão e prisão), mostrando que a fidelidade é recompensada.
- Administrador de Potifar: José organizou os negócios e bens de seu senhor, Potifar, tornando-o próspero.
- Gestão de Crise (Fome): Nomeado governador do Egito aos 30 anos, José foi o primeiro planejador de longo prazo reconhecido, acumulando alimentos nos sete anos de fartura e distribuindo-os nos sete anos de escassez.
- Administração na Prisão: Mesmo preso, ganhou confiança do carcereiro-mor, gerenciando a rotina e os outros presos.
- Características de Liderança: Reconhecido por sua inteligência, ética, resiliência emocional e capacidade de dialogar com autoridades e o povo.
- Filhos Amados e Rejeitados: José era o filho favorito de Jacó, odiado por seus irmãos; Jesus é o Filho amado do Pai, rejeitado pelos seus.
- Traição por Prata: José foi vendido por seus irmãos por prata; Jesus foi traído por Judas por trinta moedas de prata.
- A "Morte" e o Egito: José foi jogado em um poço (símbolo de morte) e depois levado ao Egito; Jesus foi entregue à morte e levado ao Egito quando criança.
- Falsas Acusações: José foi falsamente acusado pela esposa de Potifar; Jesus sofreu falsos testemunhos.
- Exaltação pós-Sofrimento: José saiu da prisão para governar todo o Egito; Jesus ressuscitou e foi exaltado à destra de Deus.
- Salvador do Povo: José armazenou pão para salvar o mundo da fome; Jesus é o "Pão Vivo" que desceu do céu para dar vida eterna.
- Perdão aos Ofensores: José perdoou seus irmãos que o traíram; Jesus intercedeu por seus algozes na cruz.
- Idade de Início do Ministério: José começou a governar o Egito aos 30 anos; Jesus iniciou seu ministério público com cerca de 30 anos.
- 1. Modelo Ético (Moral e Caráter):
- Integridade e Honra: Mesmo diante da tentação da esposa de Potifar, José recusou-se a pecar, honrando a confiança do seu senhor e seu temor a Deus.
- Perdão e Reconciliação: Em vez de vingar-se de seus irmãos, José escolheu perdoá-los, compreendendo que Deus transformou o mal em bem para preservar vidas.
- Ética no Trabalho (Excelência): Como administrador na casa de Potifar e posteriormente governador do Egito, demonstrou competência, honestidade e liderança, tornando-se o maior administrador do mundo da época.
- Humildade: Atribuiu a Deus a capacidade de interpretar os sonhos do Faraó, recusando tomar crédito pessoal pela sabedoria.
- 2. Modelo Espiritual (Fé e Propósito):
- Fé Resiliente: Manteve sua espiritualidade ativa durante anos de escravidão e prisão, acreditando na Providência Divina.
- Visão de Propósito (Providence): Entendeu sua vida como parte de um plano superior, declarando que, embora seus irmãos o quisessem mal, Deus planejou para o bem (Gênesis 50:20).
- Sabedoria e Discernimento: Recebeu dons espirituais para interpretar sonhos, utilizando-os não para benefício próprio, mas para salvar nações da fome.
- 3. Lições para a Vida Moderna: