ESTUDO DE DANIEL 9
CÁLCULOS EXATOS
OS
QUATRO CÂNTICOS DO SERVO EM ISAÍAS
PARTE
1
DANIEL
9:24–27: SETENTA SEMANAS
ANÁLISE
CRONOLÓGICA DETALHADA
ESTUDO COMPLETO 3
1. O TEXTO BASE
"Setenta semanas
estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua cidade santa... Sabe e
entende: desde a saída da palavra para restaurar e edificar Jerusalém até o
Ungido, o Príncipe, haverá sete semanas; e sessenta e duas semanas... Depois
das sessenta e duas semanas, o Ungido será cortado e não terá nada..." —
Daniel 9:24–26
Conceito-chave na época: "semana"
= período de 7 anos (como o ano sabático — Levítico 25:1–7). Logo:
- 7 semanas = 49 anos
- 62 semanas = 434 anos
- Total = 69 semanas = 483 anos até o
Ungido
2. CÁLCULO CRISTÃO — DUAS PROPOSTAS
PRINCIPAIS
a. Proposta A: Decreto de Artaxerxes a Esdras
— 457 a.C.
- Partida: 7º ano de Artaxerxes I →
457 a.C. (Esdras 7:7–26)
- Contagem: 457 a.C. − 483 anos = 27
d.C.
- Marco: Início do ministério público de
Jesus (batismo)
- Defensores: tradicionais, adventistas,
cálculo baseado em anos solares exatos
b. Proposta B: Decreto de Artaxerxes a
Neemias — 444 a.C. (mais famosa)
- Partida: Nisan (março) de 444 a.C. —
Neemias 2:1–8
- Ano profético: 360 dias (usado em
Apocalipse 11:2–3; 12:6)
- Contagem exata: 483 anos × 360 dias = 173.880
dias
- Resultado: 1 Nisan 444 a.C. + 173.880
dias = 10 Nisan de 33 d.C. = entrada triunfal de Jesus em Jerusalém
(quando o povo o aceita publicamente como Messias)
- Defensor clássico: Sir Robert
Anderson, O Príncipe que Vem (1894); atualizado por Harold Hoehner
(1977) com dados da NASA e tábuas astronômicas persas
Alegação central cristã: A
data coincide com a entrada de Jesus em Jerusalém, dias antes de ser
"cortado" (crucificado) — exatamente como profetizado.
3. RESPOSTA JUDAICA — POR QUE O CÁLCULO NÃO
FECHA
a. QUAL DECRETO? — O texto
diz "restaurar Jerusalém"
- Ciro (538 a.C.): autorizou voltar e
construir o Templo — NÃO a cidade →
não serve
- Dario I (520 a.C.): confirmou obra do
Templo → NÃO a cidade →
não serve
- Artaxerxes a Esdras (457 a.C.):
autorizou instituições religiosas, NÃO as ruas e muros
- Artaxerxes a Neemias (444 a.C.):
autorizou muros e ruas — este parece ser o correto
Judeus concordam que o
ponto de partida é 444 a.C. — mas o cálculo não fecha!
b. A DIFERENÇA DE 10 ANOS
— O PROBLEMA DOS CALENDÁRIOS
- Ano solar real = 365,25 dias
- Ano profético usado = 360 dias
- Diferença por ano = 5,25 dias
- Em 483 anos = 483 × 5,25 = ~2.536 dias
= quase 7 anos a mais
- Somando ajustes de meses e anos zero
entre 1 a.C. e 1 d.C. → diferença final = 8
a 12 anos
Ou seja: 444 a.C. + 483
anos solares = ~39 d.C., não 30–33 d.C. O "acerto" depende de usar
ano de 360 dias — calendário que não existia na época para contagem cronológica
oficial.
c. DOIS UNGIDOS — Não é a
mesma pessoa!
"Até um Ungido, o
Príncipe" (7 semanas) →
depois "depois de 62 semanas, um Ungido será cortado"
- Primeiro Ungido (7 semanas = 49 anos
após 444 = ~395 a.C.): Zorobabel / Esdras / Neemias — líderes que
restauraram a cidade
- Segundo Ungido (cortado): figura
posterior, NÃO o Messias final
- Fonte judaica: Comentário de Daniel
por vários rabinos — "Ungido cortado" = sacerdote ou governador
morto, não o Messias prometido
d. SEIS PROMESSAS —
NENHUMA CUMPRIDA
Daniel 9:24 lista seis
coisas que DEVERIAM acontecer nas 70 semanas:
1.
✔
Acabar com a transgressão
2.
✔
Selar os pecados
3.
✔
Expiar a iniquidade
4.
✔
Trazer justiça eterna
5.
✔
Selar visão e profeta
6.
✔
Ungir o Lugar Santíssimo
Visão judaica: Nenhuma
destas se cumpriu na época de Jesus. O pecado não acabou; justiça eterna não
veio; o Templo foi destruído em 70 d.C., não ungido. Logo — a profecia ainda
está no futuro.
e. "FAZER CESSAR O
SACRIFÍCIO" = MALDIÇÃO, NÃO SALVAÇÃO
"Na metade da semana
fará cessar o sacrifício..." — isso segue-se de "abominação
desoladora" = inimigo que destrói o Templo, não sacrifício perfeito de
Deus. Para os profetas, fim de sacrifício sem arrependimento = punição, não
salvação.
RESUMO COMPARATIVO —
Daniel 9
Tabela
|
Item |
Cristianismo |
Judaísmo |
|
Ponto de partida |
444 a.C. (Neemias) ou
457 a.C. (Esdras) |
Concordam com datas,
mas... |
|
Tipo de ano |
360 dias (ano profético) |
365,25 dias (ano real) |
|
Resultado |
30–33 d.C. (Jesus) |
~39–45 d.C. — não
coincide |
|
"O Ungido" |
Jesus = única pessoa |
Dois ungidos distintos —
primeiro = Zorobabel/Neemias |
|
"Cortado" |
Crucificação pelos
pecados |
Execução de um líder
pelo inimigo |
|
6 promessas de 9:24 |
Cumpridas
espiritualmente |
Nenhuma cumprida
literalmente — ainda futuras |
|
Fim de sacrifício |
Sacrifício de Cristo
substitui |
Inimigo destrói Templo —
maldição |
PARTE
2
OS
QUATRO CÂNTICOS DO SERVO EM ISAÍAS
ANÁLISE
COMPLETA
1. LOCALIZAÇÃO DOS QUATRO
CÂNTICOS
Table
|
Número |
Passagem |
Tema Central |
|
1º Cântico |
Isaías 42:1–9 |
O Servo traz justiça às
nações |
|
2º Cântico |
Isaías 49:1–7 |
O Servo é chamado desde
o ventre — luz aos gentios |
|
3º Cântico |
Isaías 50:4–11 |
O Servo sofre, mas
confia em Deus |
|
4º Cântico |
Isaías 52:13–53:12 |
O Servo sofre pelos
outros, é exaltado depois |
2. 1º CÂNTICO — ISAÍAS 42:1–9
"Eis aqui o meu
Servo, a quem eu sustento... Eu pus o meu Espírito sobre ele; ele trará o juízo
às nações... Não falhará nem se quebrará até que estabeleça na terra o juízo; e
as ilhas esperarão a sua lei."
Tabela
|
Interpretação |
Quem é o Servo? |
Argumento |
|
✝️ Cristã |
Jesus |
"Espírito sobre
ele", "lei às nações" = evangelho |
|
✡️ Judaica |
Israel / os justos |
Contexto: Deus fala ao
povo; "meu Servo" = Israel em 41:8; 44:1–2 |
|
📜 Targum |
O Messias |
Tradução aramaica
antiga: "meu Servo, o Messias" |
3. 2º CÂNTICO — ISAÍAS 49:1–7 — O VERSÍCULO
DECISIVO!
"Ouvem-me, ilhas... O
Senhor me chamou desde o ventre... e me disse: Tu és o meu Servo, ó Israel, em
quem serei glorificado."
AQUI ESTÁ A CHAVE
No próprio 2º Cântico, Deus diz
EXPLICITAMENTE: O Servo É Israel!
Tabela
|
Interpretação |
Como lidam com
49:3? |
|
✡️ Judaica |
É claro! O Servo =
Israel. O texto diz isso abertamente. Por que ler diferente? |
|
✝️ Cristã |
"Duas
camadas": Israel como nação falhou →
Deus envia o Servo perfeito = Jesus |
|
📜 Targum antigo |
Lê como Messias, mas
altera o texto para evitar "Israel" |
4. 3º CÂNTICO — ISAÍAS 50:4–11
"O Senhor Deus me deu
língua de instruído... Apresentei as minhas costas aos que me feriam... O
Senhor Deus me ajuda; quem me condenará?"
Tabela
|
Interpretação |
Quem é? |
|
✝️ Cristã |
Jesus — açoitado,
confiante em Deus |
|
✡️ Judaica |
O justo sofredor de
Israel, cada geração fiel |
|
📜 Fontes antigas |
Messias ou Israel —
ambas lidas |
5. 4º CÂNTICO — ISAÍAS 52:13–53:12 — O
MAIS DEBATIDO
"Ele foi
desprezado... levou as nossas doenças... ferido pelas nossas transgressões... o
Senhor pôs sobre ele a iniquidade de todos nós... como cordeiro levado ao
matadouro... deu a sua alma em oferta pelo pecado."
6. FONTES JUDAICAS ANTIGAS — ANTES DE
RASHI (ANTES DE 1040 d.C.)
Table
|
Fonte |
Época |
Quem é o Servo
em Isaías 53? |
|
Targum de Isaías (Targum
Yonatan) |
Séc. I–II d.C. |
O MESSIAS! Abre 52:13: "Eis
que meu Servo, o MESSIAS, prosperará" — mas apaga o sofrimento! |
|
Pesikta Rabbati |
Séc. IX d.C. |
O Messias sofre antes de
reinar — sofrimento messiânico! |
|
Midrash Tanhuma |
Séc. VIII–IX |
"Este é o Rei
Messias, mais exaltado que Abraão, Moisés e os anjos" |
|
Rollos de Qumran |
Séc. II a.C. |
Variante sugere figura
sacerdotal ungida — mshiach = ungido |
|
Filho de Sira / LXX |
Séc. II a.C. |
Tradução grega antiga —
sem "Israel", lembra pessoa individual |
CONCLUSÃO IMPORTANTE:
ANTES do século XI/XII, a
leitura messiânica era COMUM no judaísmo! O Targum mais antigo identifica o
Servo como o Messias, não Israel. A mudança aconteceu depois, em grande parte
como reação à controvérsia cristã.
7. A MUDANÇA — SÉCULOS
XI–XII
Tabela
|
Autor |
Época |
Interpretação |
Por que mudou? |
|
Rashi (1040–1105) |
Séc. XI |
Servo = Israel |
Igreja usava Isaías 53
para provar Jesus e acusar judeus de cegueira |
|
Ibn Ezra (1089–1164) |
Séc. XII |
Servo = Israel ou
profeta |
Segue Rashi |
|
Maimônides (1138–1204) |
Séc. XII |
Servo = o Messias — mas não
sofre! |
Rejeita sofrimento, mas
aceita figura individual |
|
Nahmanides (1194–1270) |
Séc. XIII |
Admite sofrimento
messiânico — mas só no FIM, não antes |
Debate público com
cristãos em Barcelona |
Nahmanides admitiu
abertamente: "É possível que o Messias sofra... mas ele deve sofrer E
DEPOIS REINAR IMEDIATAMENTE. Jesus sofreu e NÃO REINOU. Logo, não é Ele."
— Debate de Barcelona, 1263.
8. ESUMO DOS QUATRO
CÂNTICOS
Tabela
|
Cântico |
Quem diz ser o
Servo o texto mesmo? |
Cristianismo |
Judaísmo antigo |
Judaísmo
pós-séc. XI |
|
42:1–9 |
Indefinido |
Jesus |
Messias |
Israel |
|
49:1–7 |
Israel (v.3)! |
Jesus (cumpre Israel) |
Messias/Israel |
Israel ✅ |
|
50:4–11 |
O justo fiel |
Jesus |
Messias/justo |
Israel/justos |
|
52–53 |
Indefinido |
Jesus sofredor |
Messias! |
Israel |
O ponto central da briga:
No 2º Cântico, Deus diz "Tu és o meu Servo, Ó Israel". O cristianismo
diz: "Israel falhou, então Deus enviou o Servo perfeito". O judaísmo
responde: "Se Deus mesmo disse que é Israel, com que autoridade vocês
trocam o nome?"
9. CONCLUSÃO FINAL — POR QUE NÃO SE
ENTENDEM?
No fundo, DUAS perguntas
diferentes:
- ✝️
O cristianismo pergunta: "O Messias precisava sofrer para salvar?
Sim ou não?" — Responde: SIM, e Isaías 53 prova isso.
- ✡️
O judaísmo pergunta: "O Messias cumpriu TODAS as promessas de paz,
Templo e reino? Sim ou não?" — Responde: NÃO, então ainda não é
ele.
O cristianismo separou o
que os profetas juntaram: sofrimento e glória. Colocou o sofrimento na primeira
vinda e a glória na segunda.
O judaísmo diz: Os
profetas nunca separaram. O Servo sofre E DEPOIS É EXALTADO — TUDO NA MESMA
VINDA. Se não há exaltação e paz universal, o sofrimento prova apenas que ainda
não é ele.
E essa divergência nasceu
de como leram os mesmos textos — e se consolidou, infelizmente, sob pressão e
perseguição. As duas tradições amam o mesmo Deus, leem os mesmos livros e
esperam a salvação — mas discordam sobre quando ela chega e quem vem primeiro.
TODAS AS FONTES
PESQUISADAS — REFERÊNCIAS COMPLETAS
Abaixo, a lista completa
de todas as fontes citadas e consultadas, organizadas por categoria, com autor,
título, época e localização exata das passagens.
I. TEXTOS SAGRADOS
JUDAICOS — TANAJ / BÍBLIA HEBRAICA
Tabela
|
# |
Livro |
Passagens
Citadas |
Observação |
|
1 |
Gênesis |
49:10 |
Cetro não se afastará de
Judá |
|
2 |
Êxodo |
20:3–5; 4:22 |
Primeiro Mandamento;
"Israel é meu filho" |
|
3 |
Levítico |
25:1–7 |
Ano sabático →
base de "semana = 7 anos" |
|
4 |
Deuteronômio |
6:4; 13:1–5; 24:16 |
Shemá; alerta sobre
profeta que desvia a Deus outro; cada um morre por próprio pecado |
|
5 |
Isaías |
7:14; 9:6–7; 11:1–12;
42:1–9; 49:1–7; 50:4–11; 52:13–53:12; 43:10; 44:1–2; 45:21 |
Profecias messiânicas e
os 4 Cânticos do Servo |
|
6 |
Jeremias |
23:5; 31:29–30, 31:31–34 |
Davi; cada um por si;
Nova Aliança |
|
7 |
Ezequiel |
37:26–28; 40–48 |
Terceiro Templo e
sacrifícios finais |
|
8 |
Miquéias |
4:1–4; 5:2; 6:6–8 |
Paz universal; Belém; o
que Deus pede |
|
9 |
Habacuque |
2:14 |
Conhecimento de Deus
cobre a terra |
|
10 |
Zacarias |
6:12–13; 9:9 |
Templo; Rei montado em
jumento |
|
11 |
Daniel |
9:24–27; 11–12 |
Setenta Semanas |
|
12 |
Salmos |
22; 110:1 |
Salmos messiânicos |
II. TEXTOS SAGRADOS
CRISTÃOS — NOVO TESTAMENTO
Tabela
|
# |
Livro |
Passagens
Citadas |
|
1 |
Mateus |
1:18–25; 5:17; 8:17;
22:41–46 |
|
2 |
Marcos |
1:11 |
|
3 |
Lucas |
1:34–35 |
|
4 |
João |
1:1,14; 10:30; 12:38 |
|
5 |
Atos dos Apóstolos |
3:18–26; 8:30–35 |
|
6 |
Hebreus |
9:22 |
|
7 |
1 Pedro |
2:22–25 |
III. LITERATURA RABÍNICA
CLÁSSICA (SÉCS. II a.C. – V d.C.)
Targumim (Traduções/Paráfrases Aramaicas)
- Targum Yonatan (Targum dos Profetas),
séc. I–II d.C. — Isaías 52:13: "Eis que o meu Servo, o MESSIAS,
prosperará..."
- Talmud Babilônico (Bavli), séc. III–V
d.C.
|
Tabela Passagem |
Conteúdo |
|
Sanhedrin 43a |
Execução de Yeshu na
véspera da Páscoa; apedrejamento e enforcamento; proclamação de 40 dias;
acusação de feitiçaria e desvio do povo |
|
Sanhedrin 98b |
Identificação do Messias
como "o leproso dos escolares" — sofredor que carrega pecados de
Israel |
|
Sanhedrin 107b |
Yeshu como discípulo de
Yehoshua ben Perahya (séc. II a.C. — cronologia divergente) |
|
Berakhot (vários
trechos) |
Isaías 53 aplicado a
Israel e aos que estudam Torá; sofrimento como provação e recompensa |
|
Sotá 14a |
Isaías 53:12 aplicado a
Moisés |
|
Avodá Zará |
Referências a
desviadores e práticas estranhas |
🔹 Talmud de Jerusalém (Yerushalmi),
séc. IV–V d.C.
- Shekalim 5:1 — Isaías 53:12 aplicado a
Rabi Akiva
🔹 Midrashim (Comentários Exegéticos)
- Pesikta Rabbati, séc. IX d.C. — O
Messias assume sobre si os sofrimentos destinados ao povo; leitura
messiânica de Isaías 53 antes de Rashi
- Midrash Tanhuma, séc. VIII–IX d.C. —
"Este é o Rei Messias, mais exaltado que Abraão, Moisés e os
anjos"
🔹 Manuscritos Antigos
- Manuscritos de Qumran (Mar Morto),
séc. II a.C. — Fragmentos de Isaías com variantes que sugerem figura
sacerdotal ungida
IV. COMENTARISTAS
RABÍNICOS MEDIEVAIS (SÉCS. XI–XIII)
📌 Rashi — Rabi Shlomo Yitzchaki
(1040–1105, França)
- Comentário a Isaías 52–53 — O Servo = o
povo de Israel sofrendo entre as nações. Esta interpretação tornou-se
dominante e substituiu a antiga leitura messiânica, em grande medida como
reação ao uso cristão do texto em debates públicos e perseguições.
- Comentário a Daniel 9 — "Ungido
cortado" não é o Messias final; refere-se a líder anterior à vinda do
verdadeiro Messias.
📌 Abraham ibn Ezra (1089–1164, Espanha)
- Comentário a Isaías e Daniel — Segue
Rashi: Servo = Israel; Daniel 9 não aponta época de Jesus; promessas ainda
futuras.
📌 Maimônides — Rabi Moshe ben Maimon /
Rambam (1138–1204, Espanha/Marrocos/Egito)
- Mishné Torá — Leis dos Reis (Hilchot
Melachim) 11:4 e 11:10–12 — Texto integral traduzido:
"Se ele não teve
sucesso em tudo isso ou foi morto, ele definitivamente não é o Messias
prometido na Torá... Jesus de Nazaré que pensava ser o Messias e foi executado
pelo tribunal — Daniel já profetizou sobre ele: 'os renegados do teu povo se
exaltarão para estabelecer a visão, e tropeçarão'. Nenhum profeta prometeu que
o Messias removeria a Torá... Mas ninguém pode compreender os desígnios do
Criador; toda essa obra serviu para preparar o caminho para o Messias
finalmente vir."
- 13 Princípios de Fé — Princípio 12:
vinda do Messias, que atrasar-se-á mas virá; não se deve especular datas.
📌
Nahmanides — Rabi Moshe ben Nahman / Ramban (1194–1270, Espanha)
- Debate de Barcelona (1263) — Diálogo
público com cristãos perante o rei Jaime I de Aragão. Declarou
abertamente: "É possível que o Messias sofra... mas ele deve
sofrer E DEPOIS REINAR IMEDIATAMENTE. Jesus sofreu e não reinou. Logo, não
é Ele." Admitiu que Isaías 53 poderia ser lido messianicamente,
mas exigia cumprimento completo e imediato de todas as promessas.
- Comentário à Torá — Gênesis a
Deuteronômio; princípios de interpretação que guiaram sua resposta sobre
Jesus.
📌 Radak — Rabi David Kimchi (1160–1235,
França)
- Comentário a Isaías 52:13 — Confirma:
"a passagem fala sobre o exílio de Israel; o Servo é Israel, como diz
o próprio profeta em Isaías 44:1"
V. FONTES CRISTÃOS —
ESTUDOS E CÁLCULOS
Tabela
|
Autor |
Obra |
Ano |
Contribuição |
|
Sir Robert Anderson |
O Príncipe que Vem
(The Coming Prince) |
1894 |
Cálculo clássico das 70
semanas de Daniel: 444 a.C. + 173.880 dias = entrada triunfal de Jesus em 33
d.C. |
|
Harold W. Hoehner |
Chronological Aspects of the Life of Christ |
1977 / atualizado |
Verificação com tábuas
astronômicas da NASA; confirmação de datas e cálculos |
|
Eugene Ulrich / Peter
Flint |
Qumran Cave 1.II: The Isaiah Scrolls |
2010 |
Edição e estudo dos
Manuscritos de Isaías do Mar Morto |
VI. ESTUDOS ACADÊMICOS E
FONTES DE REFERÊNCIA CONSULTADAS
Tabela
|
Autor / Obra |
Título /
Conteúdo |
|
Texto integral do
Talmud, Targumim e Comentários Rashi, Rambam, Ramban — versão bilíngue
hebraico-inglês |
|
|
Wikipédia — Isaías 53 |
Levantamento de todas as
passagens talmúdicas aplicando o texto a Israel, Moisés, Rabi Akiva e outros |
|
Wikipédia — Referências
históricas não cristãs sobre Jesus |
Flávio Josefo,
Testemunho Flaviano, fontes romanas |
|
Flávio Josefo —
Antiguidades Judaicas 18:3:3 |
Testemunho Flaviano —
menção a Jesus; autenticidade parcialmente contestada |
|
Francisco Varo /
Asociación Almudí de Valencia |
Jesús de Nazaret en las
fuentes judías — análise das referências no Sanhedrin |
|
Série Mashiach Admor |
A Fortaleza de Rashi
— levantamento das leituras messiânicas ANTES de Rashi; Targum Yonatan,
Sanhedrin 98b, Pesikta Rabbati |
|
David J.A. Clines |
I, He, We and They: A
Literary Approach to Isaiah 53 — análise de gramática
e sujeito no texto hebraico |
|
Ephraim Urbach |
Os Sábios: Seus
Conceitos e Crenças — visão messiânica nos períodos do
Segundo Templo e Talmud |
|
Joseph Klausner |
A Ideia Messiânica em
Israel — evolução da esperança messiânica judaica |
|
Jon D. Levenson |
Morte e Ressurreição do
Filho Amado — expiação e sacrifício nas fontes
hebraicas |
|
Daniel Boyarin |
Os Evangelhos Judeus
— raízes judaicas da cristologia e debates sobre o Servo Sofredor |
|
Jacob Milgrom / Baruch
Levine |
Comentários a Levítico —
sistema de sacrifícios e expiação no judaísmo antigo |
|
Aish.com / Chabad.org.br |
Materiais educativos
oficiais sobre fé judaica, messianismo e visão sobre Jesus |
VII. OBSERVAÇÕES
IMPORTANTES SOBRE AS FONTES
1.
As referências no Talmud a
"Yeshu" NÃO são biografias históricas de Jesus de Nazaré — em vários
trechos (Sanhedrin 107b) a cronologia coloca "Yeshu" no século II
a.C., 200 anos antes de Jesus. São relatos polêmicos, alterados ao longo do
tempo e às vezes referindo-se a outras figuras.
2.
A leitura "Servo = Israel" em
Isaías 53 NÃO foi sempre a dominante — Targum Yonatan (séc. I–II) e Pesikta
Rabbati (séc. IX) leram como MESSIAS. A mudança para "Israel"
consolidou-se a partir de Rashi (séc. XI/XII), em resposta à controvérsia
cristã.
3.
Os cálculos de Daniel 9 dependem do
calendário — ano de 360 dias (cristão) vs. ano solar de 365,25 dias (judaico)
gera diferença de ~8–12 anos, ponto central da divergência.
4.
Maimônides reconheceu que Jesus fez parte
do plano divino — mas como PREPARAÇÃO, não como o Messias. É uma posição
intermediária, nem ódio nem aceitação.
5.
Nahmanides admitiu publicamente que Isaías
53 poderia ser messiânico — o que ele recusou foi a separação entre sofrimento
e reinado. Para ele, o reinado deve vir imediatamente após o sofrimento.
RESUMO: ONDE ENCONTRAR
CADA PONTO
Tabela
|
Tema |
Principal
Fonte |
|
Isaías 53 como Messias
(antes de Rashi) |
Targum Yonatan; Pesikta
Rabbati; Sanhedrin 98b |
|
Isaías 53 como Israel |
Rashi, Radak, Berakhot
57b |
|
Por que Jesus não é o
Messias |
Maimônides, Leis dos
Reis 11:4,10–12 |
|
Debate público e Isaías
53 |
Nahmanides, Debate de
Barcelona (1263) |
|
Cálculo de Daniel 9 |
Anderson (1894); Hoehner
(1977) |
|
Resposta judaica ao
cálculo |
Comentário de Rashi e
Ibn Ezra a Daniel 9 |
|
Referências talmúdicas a
Yeshu |
Sanhedrin 43a, 107b; Gittin 57a |
Fim dos Estudos Rabínicos Judaicos x Cristãos!