MISSÃO

O Pastor João Amilton é membro da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Palmeira das Missões Ministério de Madureira, onde tem a missão de fazer a diferença no Reino de Deus no Rio Grande do Sul, no Brasil e em outros países do mundo. Os objetivos é de levar s ser um membro das igreja que esta alicerçada na Palavra de Deus, que prima pela salvação das almas, levando o evangelho a toda a criatura e fazendo sempre a vontade de Deus, reconhecendo que o Senhor Jesus Cristo é o Senhor e Salvador de todos, para que os homens sejam servos obedientes e bons despenseiros da multiforme graça do Senhor. Contatos: 55.99998.3905.

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Salmos 139,16 - Estudo 2!

  ESTUDO EXEGÉTICO E TEOLÓGICO
SALMO 139:16



Tema:

Deus conhece o homem antes que seus dias sejam vividos
Texto-base — Salmo 139:16

Uma tradução literal do hebraico poderia ser a presentada assim:


“Meu embrião viram os teus olhos; e no teu livro todos eles foram escritos — dias foram formados, e nenhum deles [ainda existia].”

As traduções tradicionais variam bastante. A NET, por exemplo, entende o primeiro hemistíquio como “Teus olhos me viram quando eu estava no ventre” e a segunda parte como referência aos dias determinados para o salmista. A própria nota da NET reconhece que o hebraico diz literalmente “minha forma informe” e que גֹּלֶם (gōlem) ocorre somente aqui no Antigo Testamento.



1. O LUGAR DE SALMO 139:16 NO PLENITUDE DO SALMO!

Não devemos interpretar o versículo isoladamente. O Salmo 139 apresenta uma progressão extraordinária, vejamos:


1. Deus me conhece — vv. 1–6!

“Senhor, tu me sondaste e me conheces.”

O salmista começa com a onisciência divina.

Deus conhece quando o homem se assenta; quando se levanta; seus pensamentos; suas palavras; seus caminhos.


2. Deus está comigo — vv. 7–12!

“Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face?”

Aqui aparece a onipresença divina.


3. Deus me formou — vv. 13–16!

O salmista passa do conhecimento de Deus sobre sua vida para a própria formação de sua existência.

“Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.” — Salmo 139:13.

E: “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso, fui feito...” — Salmo 139:14. 

Então chega ao versículo 16: Deus não apenas conhece o homem adulto. Deus conhece o homem em sua formação.


4. Deus conhece seus pensamentos e o conduz — vv. 17–24!

Finalmente: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração...” — Salmo 139:23.

Portanto, o movimento do salmo é: Deus me conhece → Deus está comigo → Deus me formou → Deus conhece meus dias → Deus me sonda e me guia.


2. O TEXTO HEBRAICO!

O texto massorético de Salmo 139:16 é:

גָּלְמִי רָאוּ עֵינֶיךָ וְעַל־סִפְרְךָ כֻּלָּם יִכָּתֵבוּ יָמִים יֻצָּרוּ וְלֹא אֶחָד בָּהֶם׃

Transliteração aproximada:

Golmî rā’û ‘ênêkā, we‘al-sifrəkā kullām yikkātevû; yāmîm yuṣṣārû welō’ ’eḥād bāhem.

A tradição textual registra uma variante importante: וְלֹא (welō’, “e não”), enquanto a leitura marginal tradicional registra וְלוֹ (welô, “e para ele/a ele”). O texto massorético e suas tradições de leitura são documentados em fontes hebraicas, e testemunhos antigos mostram que a questão textual é real.

Isso explica parte da variedade encontrada nas traduções.


3. PRIMEIRA PALAVRA-CHAVE: גָּלְמִי — GOLMÎ!

“Meu embrião”, “minha substância informe”

A palavra: גֹּלֶם — gōlem é extremamente interessante.

Ela aparece somente uma vez no Antigo Testamento nesse formato e contexto. A nota da NET observa que, em hebraico posterior, a palavra podia designar uma massa, algo informe, inacabado ou ainda não trabalhado.

A ideia fundamental é: algo ainda não acabado, ainda não formado plenamente.

Keil e Delitzsch relacionam gōlem à ideia de algo enrolado ou reunido em uma massa, aplicando-a ao embrião. Eles observam também que a Septuaginta emprega ἀκατέργαστον (akatergaston), isto é, algo não trabalhado ou não acabado.

A imagem é extraordinária, Davi está dizendo, em essência:

“Quando minha existência ainda não possuía a forma completa de um corpo humano desenvolvido, os teus olhos já me viam.”

Isso coloca o foco na onisciência e no conhecimento pessoal de Deus.


4. “OS TEUS OLHOS VIRAM”!

Hebraico: רָאוּ עֵינֶיךָ — rā’û ‘ênêkā. Literalmente: “viram os teus olhos.”

O verbo é derivado de: ראה — rā’â, “ver”, “observar”, “perceber”.

O ponto teológico não é simplesmente que Deus “sabia” intelectualmente. O salmista utiliza a linguagem de olhar divino. Isso cria uma imagem pessoal: Deus não é um observador distante da existência humana. O Deus que formou é o Deus que vê.

Compare com Jeremias 1,5: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre te santifiquei; às nações te dei por profeta.”

Aqui encontramos uma ideia paralela, antes da formação — conhecimento divino.

É importante, porém, não transformar Jeremias 1:5 em uma declaração universal de que todo ser humano terá necessariamente o mesmo chamado profético de Jeremias. O contexto de Jeremias trata especificamente do chamado profético daquele indivíduo.

Mas o princípio teológico é evidente: Deus conhece antes que o homem consiga conhecer a si mesmo.

                                                                                                                                                                                              
5. A FORMAÇÃO NO VENTRE E A SOBERANIA CRIADORA!

Salmo 139,13–16 precisa ser lido como uma unidade.

Salmo 139,13: “Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.”

O verbo associado à ideia de “entretecer” descreve trabalho cuidadoso. Salmo 139,14: “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso, fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.”

Salmo 139,15: “Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito e entretecido como nas profundezas da terra.”

Salmo 139,16: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe...”

Observe a sequência:

Deus possui → Deus entretece → Deus vê → Deus conhece.

A existência humana é apresentada como obra de Deus.


6. A PALAVRA “LIVRO” — סֵפֶר, SEFER!

Agora chegamos a outra palavra fundamental.

סֵפֶר — sēfer = Significa: livro; documento; registro; escrito; rolo/documento escrito.

O salmista diz: “e sobre o teu livro...”

A metáfora do livro indica registro diante de Deus. Não devemos imaginar literalmente Deus sentado diante de um livro físico anotando informações como um ser humano. É linguagem antropomórfica e poética.

A ideia é: Aquilo que para nós ainda é futuro, para Deus é perfeitamente conhecido.


7. “TODOS ELES FORAM ESCRITOS”!

Hebraico: כֻּלָּם יִכָּתֵבוּ — kullām yikkātevû

A raiz: כתב — kātab

significa: escrever, registrar, colocar por escrito.

A construção apresenta a ideia de algo registrado no “livro” de Deus. É semelhante à linguagem bíblica de registros divinos.

Veja: Salmo 56,8:  “Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas no teu livro?”

E Malaquias 3,16: “Então aqueles que temeram ao Senhor falaram uns aos outros; e o Senhor atentou e ouviu; e um memorial foi escrito diante dele, para os que temeram o Senhor e para os que se lembraram do seu nome.”

E ainda: Apocalipse 20,12: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.”

Há, portanto, uma imagem bíblica recorrente de registro divino.


8. “DIAS” — יָמִים, YAMIM!

Agora chegamos ao ponto central.

יָמִים — yāmîm É o plural de: יוֹם — yôm “dia”.

O texto literalmente possui: “dias foram formados...”

A grande questão interpretativa é: Esses dias são os dias da formação do corpo? Ou São os dias da vida do indivíduo? Essa questão divide os intérpretes.

Algumas traduções entendem: “todos os dias determinados para mim foram escritos...”

Outras mantêm uma construção mais próxima do hebraico: “dias foram formados...”

A NET, por exemplo, reconhece na nota que o hebraico pode ser traduzido literalmente como: “e em teu rolo todos eles foram escritos, os dias que foram formados...”.


9. יֻצָּרוּ — YUṢṢĀRÛ!

Esse é outro termo decisivo. A palavra vem da raiz: יצר — yṣr, que possui relação com:

formar, moldar, dar forma.

A mesma raiz aparece na linguagem do oleiro. Compare: Isaías 29,16:

“Vós tudo perverteis, como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e o vaso formado dissesse do seu oleiro: Ele não tem entendimento.”

E em Isaías 64,8: “Mas agora, ó Senhor, tu és nosso Pai; nós o barro, e tu o nosso oleiro; e todos nós a obra das tuas mãos.”

Assim, Salmo 139,16 liga formação e conhecimento divino. Deus conhece aquilo que Ele mesmo está formando.


10. UMA DAS GRANDES QUESTÕES: “OS DIAS FORAM FORMADOS”!

Aqui devemos ter cuidado.

É legítimo utilizar Salmo 139:16 para ensinar que:

Deus conhece antecipadamente nossa vida. Isso se encaixa claramente no contexto.

Mas precisamos evitar afirmar que o versículo, sozinho, resolve toda a discussão filosófica sobre:

predestinação; livre-arbítrio; determinismo; responsabilidade humana; providência; causalidade.

A Bíblia ensina simultaneamente: Deus é soberano e o homem é moralmente responsável.

Por exemplo em Provérbios 16,9: “O coração do homem considera o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.”

Temos duas realidades simultâneas: O homem considera seu caminho; Deus dirige seus passos.


11. ONISCIÊNCIA NÃO É O MESMO QUE COERÇÃO!

Esse ponto é teologicamente muito importante. O fato de Deus conhecer antecipadamente uma decisão não significa necessariamente que o conhecimento divino seja a causa coercitiva daquela decisão. O conhecimento não é automaticamente causação.

Salmo 139 enfatiza principalmente: Deus conhece. O versículo não apresenta uma discussão filosófica detalhada sobre a mecânica da liberdade humana. Portanto, devemos permitir que o texto diga aquilo que realmente diz.


12. A SEPTUAGINTA — O GREGO!

Na Septuaginta, o Salmo 139 do texto hebraico corresponde ao Salmo 138, devido à diferença de numeração.

O versículo aparece assim: τὸ ἀκατέργαστόν μου εἶδον οἱ ὀφθαλμοί σου, καὶ ἐπὶ τὸ βιβλίον σου πάντες γραφήσονται· ἡμέρας πλασθήσονται, καὶ οὐθεὶς ἐν αὐτοῖς.

O texto grego está documentado em testemunhos da Septuaginta.Vamos analisar a seguir.


13. ἀκατέργαστον — AKATERGASTON!

A palavra: ἀκατέργαστον que pode carregar a ideia de: não trabalhado, não acabado, não elaborado.

É uma escolha interessante para traduzir גֹּלֶם — gōlem. Assim, o grego preserva a imagem: algo que ainda não recebeu sua forma final.

A Septuaginta, portanto, reforça a interpretação do texto como referência à condição embrionária/inacabada.

Keil e Delitzsch observam precisamente essa relação entre o hebraico e os termos gregos usados pelos tradutores antigos.


14. ΒΙΒΛΙΟΝ — BIBLION!

A Septuaginta utiliza: βιβλίον — biblion = “livro”, “documento”, “registro”.

É linguisticamente relacionado ao termo de onde temos a palavra portuguesa “Bíblia”, embora “Bíblia” tenha uma história lexical própria derivada de βιβλία, “livros”.

Aqui temos: “teu livro” — τὸ βιβλίον σου.

A imagem continua sendo: registro divino.


15. ΓΡΑΦΗΣΟΝΤΑΙ — GRAPHĒSONTAI!

Da raiz: γράφω — graphō = “escrever”.

É a mesma família lexical da qual derivamos palavras como: grafia, gráfico, geografia, bibliografia.

O sentido é: ser escrito / ser registrado.

Assim: olhos de Deus → livro de Deus → escrita divina. A poesia cria uma imagem de conhecimento perfeito.


16. ἩΜΕΡΑΣ — HĒMERAS!

A palavra grega: ἡμέρας vem de: ἡμέρα — hēmera = “dia”.

Portanto, tanto o hebraico yôm quanto o grego hēmera preservam claramente o conceito de “dias”.


17. ΠΛΑΣΘΗΣΟΝΤΑΙ — PLASTHĒSONTAI!

Esse verbo é especialmente interessante.

Vem de: πλάσσω — plassō = “formar”, “moldar”.

É uma palavra ligada à ideia de modelar.

O termo é utilizado na Septuaginta em contextos relacionados à formação. Isso cria uma ligação teológica muito rica: Deus conhece o que Ele forma.

A humanidade não é apresentada como produto de um acaso impessoal no contexto do salmo. Ela é obra do Criador.


18. O PROBLEMA TEXTUAL: וְלֹא OU וְלוֹ?

Aqui chegamos a uma das partes mais técnicas.

O texto tradicional possui: וְלֹא אֶחָד בָּהֶם - welō ’eḥād bāhem = “e não um deles...”

Mas a leitura marginal tradicional registra: וְלוֹ אֶחָד בָּהֶם - welô ’eḥād bāhem, algo como: “e para ele um deles...”

A tradição massorética registra essa diferença entre Ketiv e Qere.

Além disso, testemunhos antigos, incluindo materiais associados aos Manuscritos do Mar Morto e a Septuaginta, ajudam a demonstrar que a tradição textual desse versículo tem uma história complexa.

Consequência: Não devemos construir uma doutrina inteira sobre uma tradução isolada dessa pequena expressão.


19. O QUE DIZEM OS ANTIGOS COMENTARISTAS?

Rashi

Rashi entende o versículo dentro da perspectiva do conhecimento divino anterior à existência. Sua leitura enfatiza que aquilo que ainda não havia sido formado já estava diante dos olhos de Deus.

Ele relaciona a passagem também com Jeremias 1,5: “Antes que te formasse no ventre te conheci...”

Portanto, na tradição judaica medieval, o texto foi lido fortemente em termos de presciência divina.






20. KEIL E DELITZSCH

Keil e Delitzsch entendem גֹּלֶם como uma referência à forma embrionária.

Eles relacionam o termo à ideia de algo enrolado ou ainda sem forma definida.

Para eles, o salmo contempla o mistério da formação humana no ventre e o conhecimento divino dessa formação.
Importância teológica:

O homem não é conhecido por Deus somente depois de adquirir forma plenamente desenvolvida.

Deus conhece o ser humano em seu estado de formação.
21. CHARLES SPURGEON

Spurgeon utiliza uma imagem belíssima:

o oleiro.

Ele observa que, mesmo enquanto o vaso ainda está na roda do oleiro, o artífice conhece aquilo que está formando.

Spurgeon enfatiza que o conhecimento de Deus não é superficial; Deus conhece a própria substância da pessoa.

A aplicação pastoral é poderosa:

Se Deus conhece o homem enquanto ainda está sendo formado, também conhece o crente enquanto ele ainda está sendo espiritualmente formado.

Isso se harmoniza com:
Filipenses 1:6


“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.”
22. MATTHEW HENRY

Matthew Henry coloca Salmo 139:13–16 dentro da argumentação:

Deus nos conhece porque Ele nos fez.

A lógica é simples:

Quem criou conhece perfeitamente aquilo que criou.

Seu comentário também relaciona o conhecimento de Deus ao conforto do crente e à impossibilidade de esconder-se dele.
23. J. J. STEWART PEROWNE

Perowne reconhece a dificuldade do termo gōlem.

Ele observa que a palavra pode evocar a imagem de algo enrolado como uma bola e interpreta tradicionalmente como referência ao embrião.

Ele também registra uma interpretação alternativa: a imagem de uma “bola” ou “novelo” que poderia simbolizar a vida sendo desenrolada no decorrer dos dias.

Essa interpretação é interessante poeticamente, mas devemos distinguir:

possibilidade interpretativa de certeza exegética.
24. JOSEPH CARYL

Caryl utiliza a imagem de um arquiteto.

Antes de construir um edifício, o arquiteto possui um projeto.

Da mesma forma, Caryl entende o “livro” como imagem da perfeita sabedoria de Deus.

A analogia pode ser resumida:

Projeto → construção.

Deus não cria sem sabedoria.
25. UMA OBSERVAÇÃO DE ELlicott

Ellicott chama atenção para a dificuldade do texto e destaca que gōlem pode ser entendido como algo enrolado, ainda sem forma completa, apontando para o embrião.

Ele também observa que a expressão “dias foram formados” pode ser entendida como referência aos dias da vida, e não necessariamente aos membros do corpo.

Isso é importante porque algumas traduções tradicionais introduzem a palavra:

“membros”

embora ela não esteja explicitamente no texto hebraico dessa forma.
26. O QUE PODEMOS AFIRMAR COM SEGURANÇA?

Depois de considerar hebraico, grego, variantes textuais e comentaristas, podemos afirmar com segurança:
1. Deus conhece o ser humano em sua formação.

O termo gōlem sustenta a imagem de uma condição ainda não formada.
2. Deus conhece profundamente sua criatura.

O verbo “ver” enfatiza conhecimento divino.
3. A vida humana está debaixo da percepção de Deus.

O salmo não apresenta a existência humana como algo escondido de Deus.
4. Deus conhece os dias antes que eles sejam experimentados pelo homem.

Essa é uma leitura fortemente sustentada pelo contexto e por diversas traduções.
5. O texto aponta para a providência e presciência divinas.

Mas não resolve sozinho todas as questões filosóficas sobre predestinação e liberdade.
27. DEUS CONHECE O “ANTES”

Essa é talvez a grande teologia de Salmo 139:16.

Nós conhecemos:

depois que acontece.

Deus conhece:

antes que aconteça.

Nós conhecemos:

pela experiência.

Deus conhece:

por sua onisciência.

Nós caminhamos:

no tempo.

Deus conhece:

toda a realidade temporal.

Isaías expressa algo semelhante:
Isaías 46:9–10


“Lembrai-vos das coisas passadas desde a antiguidade; que eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim; que anuncio o fim desde o princípio e, desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será firme, e farei toda a minha vontade.”

Aqui a teologia bíblica é extremamente clara:

Deus conhece o fim desde o princípio.
28. DEUS CONHECE O FUTURO, MAS O HOMEM DEVE VIVER PELA FÉ

Isso aparece claramente em:
2 Coríntios 5:7


“Porque andamos por fé, e não por vista.”

E:
Hebreus 11:1


“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.”

A fé não significa possuir todas as informações sobre o futuro.

A fé significa confiar em Deus mesmo quando não possuímos todas as informações.
29. SALMO 139:16 E A PROVIDÊNCIA DIVINA

A doutrina da providência afirma, em termos gerais, que Deus não apenas criou o mundo, mas continua sustentando e governando sua criação.

Veja:
Colossenses 1:16–17


“Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”

A existência não está fora do governo de Deus.
30. SALMO 139:16 E A CRIAÇÃO HUMANA

O versículo também possui importância antropológica.

O ser humano não é apresentado apenas como matéria.

Há intencionalidade.

Há formação.

Há conhecimento.

Há dignidade.

Isso encontra eco em:
Gênesis 1:27


“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.”

A dignidade humana deriva do Criador.
31. SALMO 139:16 E JEREMIAS 1:5

A conexão é especialmente forte:
Salmo 139:16

Deus conhece o indivíduo em sua condição ainda não formada.
Jeremias 1:5


“Antes que te formasse no ventre te conheci...”

Nos dois textos aparece:

formação + conhecimento divino anterior.

Contudo, Jeremias é uma passagem vocacional específica, enquanto Salmo 139 pertence a uma meditação mais ampla sobre a onisciência e criação.
32. SALMO 139:16 E JÓ 10

Jó também usa linguagem relacionada à formação humana:
Jó 10:8–12


“As tuas mãos me fizeram e me aperfeiçoaram juntamente em roda; contudo me consomes. Lembra-te, pois, de que me formaste como barro, e de que ao pó me farás tornar. Porventura não me vazaste como leite, e como queijo não me coalhaste? De pele e carne me vestiste, e de ossos e nervos me entreteceste. Vida e misericórdia me concedeste; e o teu cuidado guardou o meu espírito.”

Observe a linguagem:

formaste → vestiste → entreteceste → concedeste vida → guardaste.

É extremamente semelhante ao universo teológico de Salmo 139.
33. SALMO 139:16 E O NOVO TESTAMENTO

O Novo Testamento desenvolve profundamente a ideia da presciência e propósito de Deus.
Efésios 1:4


“Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.”
Romanos 8:29


“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho...”

Esses textos devem ser estudados em seus próprios contextos.

Mas juntos demonstram que a teologia bíblica apresenta Deus como aquele que conhece e age segundo seu propósito antes da experiência humana.
34. MAS ISSO NÃO ELIMINA A RESPONSABILIDADE HUMANA

A Bíblia também diz:
Deuteronômio 30:19


“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente.”

E:
Josué 24:15


“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais...”

Portanto, a Bíblia mantém juntas duas verdades:

Deus é soberano.

O homem é responsável.

Salmo 139:16 deve ser utilizado com essa cautela teológica.
35. UMA GRANDE APLICAÇÃO PASTORAL

Se Deus conhecia Davi quando ele ainda era um “gōlem”, então:

o valor da pessoa não começa quando ela se torna útil.

Não começa quando ganha dinheiro.

Não começa quando recebe reconhecimento.

Não começa quando se torna famosa.

Não começa quando alguém a considera importante.

O valor da criatura deriva de Deus.
36. PARA QUEM ESTÁ PASSANDO POR UM PROCESSO

Existe outra aplicação.

Talvez você diga:

“Ainda não sou aquilo que deveria ser.”

Salmo 139 lembra:

Deus trabalha com aquilo que ainda está em formação.

A vida cristã é processo.
2 Coríntios 3:18


“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”

Deus não terminou sua obra.
37. PARA QUEM TEM MEDO DO FUTURO

Salmo 139:16 oferece uma resposta poderosa.

Você não conhece todos os seus dias.

Deus conhece.

Você não conhece todas as circunstâncias.

Deus conhece.

Você não sabe o que virá.

Deus sabe.

Por isso:
Provérbios 3:5–6


“Confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas.”
38. O VERSÍCULO NÃO PROMETE UMA VIDA SEM SOFRIMENTO

Essa distinção é necessária.

Salmo 139:16 não diz:

“Todos os meus dias serão fáceis.”

Ele diz que Deus conhece os dias.

Portanto:

conhecimento divino não significa ausência de sofrimento.

José sofreu.

Davi sofreu.

Jó sofreu.

Jeremias sofreu.

Paulo sofreu.

Jesus disse:
João 16:33


“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.”

A segurança cristã não está em saber que nenhum dia difícil virá.

Está em saber que Deus estará presente em todos eles.
39. O GRANDE CLÍMAX DO SALMO

É maravilhoso perceber que o salmo não termina no versículo 16.

Depois de falar sobre:

conhecimento;


presença;


formação;


dias;

Davi termina dizendo:
Salmo 139:23–24


“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”

Aqui está o verdadeiro objetivo.

Se Deus conhece meus dias, eu devo entregar meus dias a Ele.

A doutrina deve produzir devoção.

A teologia deve produzir transformação.

O conhecimento de Deus deve produzir confiança e santidade.
40. QUATRO GRANDES MOVIMENTOS TEOLÓGICOS

Podemos condensar todo o estudo em quatro movimentos:
I — DEUS ME CONHECE


“Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe.”

Doutrina: Onisciência.

Aplicação: Não preciso esconder-me de Deus.
II — DEUS ME FORMOU


“Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe.”

Doutrina: Criação e providência.

Aplicação: Minha existência tem dignidade porque procede do Criador.
III — DEUS CONHECE MEUS DIAS


“No teu livro todos eles foram escritos...”

Doutrina: Presciência e providência divina.

Aplicação: Meu futuro não é desconhecido para Deus.
IV — DEUS DEVE GUIAR MEUS DIAS


“E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”

Doutrina: Santificação e direção divina.

Aplicação: Não basta saber que Deus conhece meu caminho; preciso pedir que Ele me guie.
41. UMA SÍNTESE EXEGÉTICA

Salmo 139:16 pode ser resumido assim:


O Deus onisciente contempla o ser humano ainda em sua condição embrionária; conhece sua formação completamente e, em sua sabedoria soberana, conhece os dias de sua existência antes que esses dias sejam experimentados pelo próprio ser humano.

Essa é a ideia central.
42. UMA SÍNTESE TEOLÓGICA

O texto nos ensina pelo menos seis grandes verdades:

1. Deus é onisciente.

Ele conhece aquilo que nós ainda não conhecemos.

2. Deus é Criador.

Ele não apenas observa nossa existência; Ele nos forma.

3. Deus é providente.

Nossa existência está debaixo de seu governo.

4. A vida humana possui dignidade.

Deus conhece a pessoa desde sua formação.

5. O futuro não surpreende Deus.

Nossos dias não são desconhecidos para Ele.

6. A resposta adequada é confiança e entrega.

Por isso Davi termina:


“Guia-me pelo caminho eterno.”
43. UMA PALAVRA PARA A IGREJA

A igreja precisa recuperar a consciência de que:

não somos esquecidos por Deus.

A sociedade pode esquecer.

Pessoas podem esquecer.

Amigos podem abandonar.

Família pode não compreender.

Mas Deus conhece.

Conhece antes.

Conhece durante.

Conhece depois.

Conhece toda a história.
44. UMA FRASE PARA A PREGAÇÃO


“Antes que eu tivesse um dia vivido, Deus já conhecia todos os meus dias; antes que eu tivesse uma história para contar, Deus já conhecia toda a minha história.”
45. CONCLUSÃO PASTORAL

Salmo 139:16 não deve simplesmente nos fazer perguntar:

“Deus conhece meu futuro?”

A pergunta mais importante é:

“Se Deus conhece meu futuro, estou disposto a confiar minha vida a Ele?”

Porque não precisamos conhecer todas as páginas do livro.

Precisamos conhecer o Autor.

Não precisamos saber todos os acontecimentos.

Precisamos confiar naquele que não será surpreendido por nenhum deles.

Não precisamos enxergar todo o caminho.

Precisamos seguir aquele que conhece o caminho eterno.

E então podemos orar como Davi:


“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração... e guia-me pelo caminho eterno.”
FONTES E REFERÊNCIAS UTILIZADAS
1. Texto hebraico e tradição massorética

Texto Massorético / Westminster Leningrad Codex, Salmo 139:16. A fonte apresenta o hebraico, transliteração e a variante וְלֹא / וְלוֹ.
2. NET Bible — notas exegéticas

As notas da NET Bible são particularmente úteis para גֹּלֶם (gōlem) e para a discussão sobre o “livro” e os “dias”.
3. Septuaginta

Texto grego da Septuaginta, Salmo 138:16, correspondente ao Salmo 139:16 do texto hebraico.
4. Keil & Delitzsch

C. F. Keil e F. Delitzsch, Commentary on the Old Testament, comentário sobre Salmo 139. Especialmente relevante para a análise de גֹּלֶם, formação embrionária e a estrutura teológica do salmo.
5. Charles H. Spurgeon

The Treasury of David, exposição de Salmo 139. Spurgeon utiliza especialmente a imagem do oleiro e enfatiza o conhecimento pessoal de Deus sobre a criatura.
6. Matthew Henry

Commentary on the Whole Bible, exposição de Salmo 139:7–16. Henry destaca a relação entre a onisciência de Deus, sua presença e sua obra criadora.
7. J. J. Stewart Perowne

The Book of Psalms: A Critical and Expository Commentary, citado nas coleções de comentários sobre Salmo 139:16. Perowne discute o significado de gōlem e as diferentes interpretações da imagem do “novelo” ou embrião.
8. Ellicott

Ellicott's Commentary for English Readers, Salmo 139:16. É particularmente útil para compreender as dificuldades sintáticas e textuais do versículo e a interpretação de gōlem como embrião.
9. Rashi

Comentário medieval judaico sobre Salmo 139:16. Rashi enfatiza o conhecimento divino daquilo que ainda não havia sido formado e relaciona o pensamento a Jeremias 1:5.
10. Orígenes

Selecta in Psalmos, comentário grego antigo sobre os Salmos. O material mostra uma leitura cristã antiga de Salmo 138:16 e relaciona a passagem ao conhecimento e à ação providencial de Deus.
11. Atanásio

Expositiones in Psalmos, comentário patrístico grego. A interpretação preservada nesse material relaciona o conhecimento de Deus àquilo que precede a formação e à ação de sua presciência.
Nota sobre as fontes

Há uma diferença importante entre texto bíblico, tradução, comentário e interpretação teológica. Neste estudo, procurei não apresentar uma interpretação de um comentarista como se fosse o significado obrigatório do texto.

Em especial, Salmo 139:16 é um versículo textualmente difícil. A questão envolvendo גֹּלֶם, a relação sintática entre כֻּלָּם, יָמִים e יֻצָּרוּ, e a variante לֹא / לוֹ explicam por que as traduções divergem. A própria tradição textual antiga confirma que há uma discussão legítima aqui.

Por isso, a leitura teologicamente mais segura é preservar o centro do texto:


Deus conhece o ser humano desde sua formação e conhece os dias de sua existência antes que sejam vividos.

E o próprio salmo nos mostra a resposta correta a essa verdade:


“Sonda-me... conhece-me... e guia-me pelo caminho eterno.”

Não conheço todos os meus dias; mas Deus conhece.
Não compreendo toda a minha história; mas Deus conhece.
Não vejo todas as páginas; mas Deus conhece o livro inteiro.
Por isso, minha segurança não está em conhecer o amanhã, mas em confiar no Deus que já conhece o amanhã.




Salmos 139,16 - Estudo 1

DEUS CONHECE TODOS OS NOSSOS DIAS


Texto-base: Salmo 139,16:

“Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais iam sendo dia a dia formadas, quando nem ainda uma delas havia.”


Introdução

Amados irmãos, o Salmo 139 é uma das mais profundas declarações das Escrituras acerca do conhecimento, da presença e do cuidado de Deus.

Davi contempla a grandeza de um Deus que conhece o ser humano por completo. Deus conhece aquilo que mostramos e aquilo que escondemos. Conhece nossas palavras antes que elas cheguem à nossa boca. Conhece nossos pensamentos, nossas lutas, nossas lágrimas, nossos sonhos e até os dias que ainda não vivemos.


No versículo 16 encontramos uma verdade extraordinária:

  • Antes de qualquer pessoa nos conhecer, Deus já nos conhecia.
  • Antes de termos uma história, Deus já contemplava nossa existência.
  • Antes de vivermos o primeiro dia, Deus já conhecia todos os nossos dias.
  • Isso nos ensina que nossa vida não é um acidente sem significado. Nossa existência está diante dos olhos de Deus.


1. “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe”!

Davi começa dizendo: “Os teus olhos viram...”

Que expressão maravilhosa!

Deus viu Davi quando ninguém mais podia vê-lo.

Antes que seus pais pudessem contemplá-lo, Deus já o contemplava.

Antes de receber um nome, Deus já conhecia sua existência.

Antes de ocupar um lugar neste mundo, ele já estava diante dos olhos do Criador.

Isso nos revela que Deus não começa a conhecer uma pessoa quando ela nasce. Deus já a conhece desde o princípio de sua formação.

O ser humano olha para aquilo que está pronto.

Deus olha para aquilo que ainda está sendo formado.

Nós vemos o presente; Deus vê o processo.

Nós vemos uma semente; Deus conhece a árvore.

Nós vemos uma criança; Deus conhece a história que será construída.

Nós vemos alguém passando por uma luta; Deus conhece aquilo que Ele ainda realizará através daquela vida.

Que conforto existe nessa verdade!

Talvez alguém esteja olhando para a própria vida e pensando:

“Eu não sei para onde estou indo.”

Mas Deus sabe.

“Eu não sei o que vai acontecer amanhã.”

Mas Deus sabe.

“Eu não consigo compreender o que estou vivendo.”

Mas Deus conhece.


2. Deus conhece nossa formação!

O texto diz: “Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe...”

A palavra “informe” nos lembra algo que ainda estava sendo formado.

Isso nos ensina que Deus conhece o ser humano não apenas quando ele está forte, mas também quando está em processo.

Há pessoas que estão vivendo uma fase de formação.

Ainda não chegaram onde desejam.

Ainda estão aprendendo.

Ainda estão amadurecendo.

Ainda estão sendo tratados por Deus.

Ainda existem áreas da vida que precisam ser transformadas.

Mas o fato de você ainda estar em formação não significa que Deus tenha abandonado você.

Deus trabalha durante o processo.

Há coisas que só aprendemos no caminho.

Há experiências que Deus usa para amadurecer nossa fé.

Há portas que se fecham e que mais tarde entendemos que foram proteção.

Há períodos de espera que parecem silêncio, mas que podem ser tempos de preparação.


3. “No teu livro todas estas coisas foram escritas”!

Davi continua: “E no teu livro todas estas coisas foram escritas...”

Essa declaração aponta para o conhecimento perfeito de Deus.

A Bíblia apresenta Deus como aquele que conhece plenamente a história de cada pessoa.

Nada está escondido dos Seus olhos.

Deus conhece:

nossa origem;

nossa caminhada;

nossas alegrias;

nossas dores;

nossos erros;

nossas decisões;

nossas lágrimas;

nossas necessidades;

nossos dias.

Isso não significa que o ser humano seja um robô sem responsabilidade.

A Bíblia continua ensinando que somos responsáveis pelas nossas escolhas e decisões.

Mas significa que Deus conhece perfeitamente aquilo que para nós ainda é desconhecido.

Nós caminhamos pela fé.

Deus contempla toda a nossa história.


4. Deus conhece aquilo que ainda não aconteceu!

Essa talvez seja uma das partes mais profundas do texto: “...quando nem ainda uma delas havia.”

Quando ainda não havia acontecido, Deus já conhecia.

Imagine isso!

Existem dias que ainda não chegaram para nós.

Existem acontecimentos que ainda não conhecemos.

Existem portas que ainda não se abriram.

Existem encontros que ainda não aconteceram.

Existem lágrimas que ainda não derramamos.

Existem alegrias que ainda não experimentamos.

Mas nenhum desses dias é desconhecido para Deus.

Nós dizemos:

“Eu não sei o que o amanhã vai trazer.”

E isso é verdade.

Mas podemos acrescentar:

“Eu não sei o que o amanhã trará, mas sei quem estará comigo quando o amanhã chegar.”

Essa é a essência da fé.


5. O Deus que conhece o futuro também está presente no presente!

Às vezes queremos tanto saber o amanhã que esquecemos de viver o hoje com Deus.

Perguntamos:

“Senhor, o que vai acontecer?”

“Quando vai acontecer?”

“Como vai acontecer?”

“Por que ainda não aconteceu?”

Mas muitas vezes Deus não nos revela todos os detalhes.

Ele simplesmente nos chama a confiar.

A fé não significa conhecer todos os detalhes do caminho.

Fé é caminhar confiando naquele que conhece o caminho.

Abraão não conhecia todos os detalhes de sua jornada, mas saiu pela fé.

Moisés não sabia tudo o que encontraria no deserto, mas continuou caminhando.

Josué não conhecia todas as batalhas que enfrentaria, mas confiou na promessa.

Pedro não sabia tudo o que aconteceria quando deixou as redes, mas seguiu Jesus.

E nós também precisamos aprender a dizer:

“Senhor, eu não conheço todos os meus dias, mas Tu conheces. Por isso, eu confio em Ti.”


6. Deus conhece os dias difíceis!

É importante entender que o conhecimento de Deus não significa que teremos uma vida sem problemas.

Jesus nunca prometeu que não enfrentaríamos tribulações.

Existem dias de alegria e dias de lágrimas.

Dias de abundância e dias de escassez.

Dias de portas abertas e dias de espera.

Dias em que cantamos e dias em que choramos.

Mas existe uma certeza:

Deus conhece todos eles.

Quando José foi vendido pelos irmãos, Deus sabia.

Quando José foi levado ao Egito, Deus sabia.

Quando José foi injustiçado, Deus sabia.

Quando José foi preso, Deus sabia.

E quando chegou o momento de sua exaltação, Deus também sabia.

O sofrimento não significava que Deus havia perdido o controle.

Às vezes, aquilo que parece um capítulo de derrota está dentro de uma história que Deus ainda está escrevendo.


7. Deus conhece nossas lágrimas!

Existem lágrimas que ninguém vê.

Há pessoas que sorriem diante dos outros, mas choram quando estão sozinhas.

Há pessoas que dizem “está tudo bem”, enquanto o coração está ferido.

Há orações que não conseguem sair em palavras.

Mas Deus conhece.

O mesmo Salmo 139 mostra que Deus conhece profundamente o ser humano.

Isso significa que não precisamos fingir diante de Deus.

Podemos chegar diante dEle como estamos.

Com nossas perguntas.

Com nossas dores.

Com nossas fraquezas.

Com nossos medos.

Com nossas lágrimas.

Deus não precisa que você esconda aquilo que Ele já conhece.


8. Deus conhece os dias que ainda não chegaram!

Talvez alguém esteja vivendo uma grande preocupação com o futuro.

“Como será minha família?”

“Como será meu trabalho?”

“Como será minha caminhada?”

“Como será minha velhice?”

“Como serão os próximos anos?”

Nós não temos todas as respostas.

Mas temos uma promessa poderosa:

Deus já está no futuro que nós ainda não alcançamos.

Quando chegar aquele dia, Deus já estará lá.

Quando você entrar naquela situação, Deus já conhecerá o caminho.

Quando surgir aquela dificuldade, Deus não será surpreendido.

Quando você enfrentar aquela batalha, Deus continuará sendo Deus.


9. O conhecimento de Deus deve produzir confiança!

Saber que Deus conhece nossos dias não deve nos levar ao medo.

Deve nos levar à confiança.

Imagine uma criança atravessando uma estrada segurando a mão do pai.

Ela não conhece todos os perigos.

Ela não conhece todos os caminhos.

Ela não sabe tudo o que está acontecendo.

Mas confia porque está segurando a mão de alguém que sabe.

É assim que devemos caminhar com Deus.

Não precisamos conhecer todo o caminho para confiar no Deus que conhece o caminho inteiro.


10. Deus não apenas conhece nossa história — Ele nos chama para viver com Ele!

O propósito da revelação de Deus não é simplesmente satisfazer nossa curiosidade sobre o futuro.

Deus quer relacionamento.

O Salmo 139 não termina apenas com a declaração de que Deus conhece.

Davi termina orando:

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos.”

E depois:

“E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno.”

Aqui está uma grande lição.

Se Deus conhece todos os nossos dias, então devemos permitir que Ele também guie os nossos dias.

Não basta saber que Deus conhece nosso caminho.

Precisamos dizer:

“Senhor, guia o meu caminho.”


11. Nossos dias estão diante de Deus!

Salmo 139:16 nos lembra que nossa existência está diante de Deus.

Isso deve mudar a maneira como vivemos.

Se Deus conhece nossos dias:

Devemos viver com gratidão.

Cada dia é uma dádiva.

Devemos viver com responsabilidade.

Nossas escolhas têm consequências.

Devemos viver com fé.

Não sabemos tudo, mas Deus sabe.

Devemos viver com santidade.

Deus conhece nosso coração.

Devemos viver com esperança.

Nosso futuro não está fora do conhecimento de Deus.


12. Há um propósito maior do que aquilo que conseguimos enxergar!

Às vezes julgamos nossa vida apenas pelo momento presente.

Se está difícil, pensamos que tudo está perdido.

Se uma porta se fecha, pensamos que acabou.

Se uma oração demora, pensamos que Deus não ouviu.

Mas Salmo 139:16 nos chama a olhar além do momento.

Deus vê o que nós não vemos.

Nós enxergamos uma página.

Deus conhece o livro.

Nós conhecemos o capítulo de hoje.

Deus conhece a história inteira.

Por isso, não devemos concluir a história enquanto Deus ainda está escrevendo.


13. Uma palavra para quem está esperando!

Talvez você esteja vivendo uma espera.

Esperando uma resposta.

Esperando uma oportunidade.

Esperando uma mudança.

Esperando uma restauração.

Esperando uma direção.

Não confunda espera com abandono.

Deus continua trabalhando mesmo quando não conseguimos perceber.

A semente fica debaixo da terra antes de aparecer.

O silêncio não significa ausência.

Às vezes Deus está trabalhando em profundidade antes de permitir que alguma coisa apareça na superfície.


14. Uma palavra para quem está com medo do amanhã"

Não sabemos quantos dias teremos.

Não sabemos o que cada dia trará.

Mas sabemos quem sustenta nossos dias.

O amanhã não está nas nossas mãos.

Está nas mãos de Deus.

Por isso Jesus ensinou:

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã...” — Mateus 6:34.

Isso não significa viver irresponsavelmente.

Significa não permitir que a ansiedade pelo futuro roube a graça do presente.

Hoje Deus lhe deu um dia.

Viva este dia com Ele.

Amanhã, quando chegar, a graça de Deus estará presente também.


15. Uma palavra para quem pensa que sua vida não tem valor!

Salmo 139:16 destrói a ideia de que somos insignificantes para Deus.

O Deus do universo conhece nossa formação.

Conhece nossa história.

Conhece nossos dias.

Conhece nossas necessidades.

Conhece nosso coração.

Você pode ser desconhecido para muitas pessoas, mas nunca é desconhecido para Deus.

Talvez ninguém tenha percebido sua luta.

Deus percebeu.

Talvez ninguém tenha ouvido sua oração.

Deus ouviu.

Talvez ninguém tenha visto sua lágrima.

Deus viu.

Talvez ninguém reconheça sua caminhada.

Deus conhece.


16. A maior segurança não está em conhecer o amanhã, mas em conhecer Deus!

Essa é a grande mensagem do texto.

Nós gostaríamos de ter um mapa completo da nossa vida.

Deus muitas vezes nos dá apenas luz suficiente para o próximo passo.

Mas isso é suficiente.

A Bíblia diz:

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz para o meu caminho.” — Salmo 119:105.

Observe:

Lâmpada para os pés.

Deus muitas vezes ilumina o próximo passo, não os próximos dez anos.

Por quê?

Porque Ele deseja que caminhemos pela fé.

Conclusão

Salmo 139:16 nos apresenta um Deus que conhece profundamente cada ser humano.

Antes de você conhecer a Deus, Deus já conhecia você.

Antes de você conhecer seus dias, Deus já os conhecia.

Antes de você saber o que enfrentaria, Deus já sabia.

Antes de você chegar a determinados momentos da vida, Deus já conhecia esses momentos.

Isso não significa que entenderemos tudo.

Significa que podemos confiar.

Talvez hoje você não saiba o que acontecerá amanhã.

Mas não precisa saber.

Deus sabe.

Talvez você não compreenda o processo que está vivendo.

Mas Deus compreende.

Talvez você não consiga enxergar uma saída.

Mas Deus conhece o caminho.

Então, como Davi, podemos terminar dizendo:

“Senhor, sonda-me. Conhece-me. Guia-me.”

Que nossa oração seja:

“Senhor, eu entrego meus dias em Tuas mãos. Não conheço tudo o que está diante de mim, mas conheço Aquele que está comigo. Conduze minha vida, meus passos, minha família, meus sonhos e meu futuro. Que cada dia da minha vida seja vivido para a Tua glória.”

Mensagem central

“Eu não conheço todos os meus dias, mas Deus conhece. Eu não sei tudo o que está por vir, mas Deus já está lá. Por isso, não preciso viver dominado pelo medo do amanhã; posso caminhar pela fé, confiando no Deus que conhece toda a minha história.”

Apelo

Nesta hora, talvez Deus esteja chamando você a entregar novamente seus dias nas mãos dEle.

Entregue o passado.

Entregue o presente.

Entregue o futuro.

Entregue aquilo que você entende e aquilo que você não entende.

Entregue seus sonhos.

Entregue suas preocupações.

Entregue sua família.

Entregue sua caminhada.

E diga:

“Senhor, Tu conheces os meus dias. Então guia-me em cada um deles.”

Porque a nossa segurança não está em saber o que acontecerá amanhã.

Nossa segurança está em saber quem estará conosco amanhã.

E esse Deus que conhece todos os nossos dias é o mesmo Deus que prometeu:

“Nunca te deixarei, nem te desampararei.” — Hebreus 13:5.


Amém!

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ASSEMBLÉIA DE DEUS MADUREIRA PALMEIRA DAS MISSÕES

ASSEMBLÉIA DE DEUS MADUREIRA PALMEIRA DAS MISSÕES
Fotografia tirada no dia 24 de janeiro de 2004, por ocasião da Congregação Palmeira das Missões pertencente ao Campo de Cruz Alta, pela presidente da época do Pastor ANTÔNIO CARLOS RODRIGUES DOS SANTOS CAMPOS.inistério de Madureira em Palmeira das Missões

PÓRTICO NORTE DA ENTRADA DE PALMEIRA DAS MISSÕES

PÓRTICO NORTE DA ENTRADA DE PALMEIRA DAS MISSÕES
A cidade de Palmeira das Missões, esta localizada na Região Norte do Estado do Rio Grande do Sul, conhecida como a Capital da Erva Mate. Entre os episódios ocorridos no antigo município de Palmeira das Missões durante a Revolução Federalista de 1893, tem particular interesse o morticínio do Distrito de Boi Preto, um dos maiores da luta que, só encontra paralelo no genocídio da Mangueira de Pedra (Rio Negro, Bagé), que o precedeu e, segundo voz corrente, foi ainda maior. Afirma-se que naquela cidade da Fronteira Sul, os sacrificados por Adão de La Torre (e outros) somaram 410, enquanto na hecatombe serrana , conforme telegrama do comandante do massacre Firmino de Paula ao Presidente Júlio de Castilhos, atingiram 370. Formação Administrativa do município de Palmeira das Missões, cuja sede pertencia ao antigo 3.º Distrito do município de Cruz Alta, foi criado por força da Lei Provincial nº 928, de 6 de maio de 1874, com território desmembrado dos municípios de Cruz Alta e de Passo Fundo, se instalando definitivamente no 7 de abril do ano seguinte.